O mercado de capitais brasileiro está prestes a passar por uma transformação histórica. Pela primeira vez em décadas, o monopólio da B3 será desafiado pela chegada de uma nova bolsa de valores: a Base Exchange, controlada pelo fundo soberano Mubadala.
Com previsão de início de operações até o início de 2027, a nova plataforma promete tarifas mais justas e maior eficiência operacional. Porém, há um detalhe que chama atenção: ao contrário da B3, a Base não pretende negociar criptomoedas nem ETFs de criptomoeda, pelo menos na fase inicial.
“Criptomoedas são ativos com fundamentos econômicos diversos, apetites distintos, e que concorrem com os ativos da bolsa na alocação de capital. Pode ser que no futuro a infraestrutura relacionada à criptografia, blockchain, venha a ser usada, principalmente para a parte de depositária”, explicou Claudio Pracownik, CEO da Base Exchange, em entrevista ao Estadão/Broadcast.
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Processo de aprovação
A Base Exchange já passou por todas as avaliações técnicas preliminares conduzidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Agora, o processo depende da autorização final do Banco Central, responsável por aprovar a compensação, estrutura fundamental que garante a liquidação e liquidação de todas as operações.
Segundo Pracownik, a empresa adota uma abordagem gradual porque nenhuma corretora pode se integrar à plataforma antes da aprovação completa, e as companhias abertas só podem levar propostas aos conselhos depois do aval formal dos reguladores.
Com isso, o primeiro pregão pode ocorrer no final de 2026 ou no início de 2027.
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Modelo diferenciado
A Base aposta em um modelo operacional diferente do praticado no país. Com estrutura enxuta, tecnologia proprietária e sistemas totalmente em nuvem, a empresa promete reduzir custos operacionais e aumentar a eficiência.
Entre os diferenciais, Pracownik destaca tarifas mais justas, chamadas de margem mais racionais e liberação rápida de garantias, pontos que costumam aumentar o custo total das operações na B3.
A estratégia tem respaldo internacional. Nos mercados onde uma segunda bolsa foi instalada, houve aumento de até 25% no volume de negociação nos anos seguintes, enquanto o custo implícito das operações caiu entre 25% e 30%.
Na fase inicial, a Base Exchange oferecerá ações à vista, aluguel de ações, cotas de fundos imobiliários (FIIs), ETFs e BDRs. Produtos mais complexos, como derivados e contratos futuros, deverão ser lançados apenas depois, porque acelerar essa etapa poderia atrasar o processo de autorização.
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A decisão de deixar criptomoedas de fora reflete uma análise estratégica. Pracownik explica que os criptoativos possuem fundamentos econômicos diferentes, diferentes níveis de risco e comportamento que não se alinham ao propósito central da Base.
Além disso, esses ativos competem com ações e outros instrumentos tradicionais de alocação de capital dos investidores. Ainda assim, ele admite que tecnologias derivadas do setor digital, como o blockchain, poderão ser incorporadas futuramente, principalmente na área de depositária.
A agenda regulatória segue como um dos principais desafios. A compensação própria exige rigorosas critérios técnicos do Banco Central, considerada por Pracownik um processo natural para garantir segurança e padronização.
O BC deve produzir uma norma após consulta pública sobre ciclos de liquidação, que possa permitir operações mais eficientes no mercado brasileiro. A Base afirma já estar preparada para operar com liquidação em D+1, caso esse novo prazo seja aprovado.
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A transformação do setor não se limita à Base. A CSD BR tem planos de lançar outra bolsa no horizonte de três anos, reforçando a percepção de que o país começa a abrir espaço para um sistema mais competitivo.
Para Pracownik, o movimento é positivo, já que os novos participantes contribuem com qualidade. Ele destaca ainda que outras bolsas poderão utilizar a compensação da Base, caso desejem acelerar sua entrada no mercado.
Pracownik acredita que o Brasil pode viver um momento mais favorável para ofertas públicas a partir do semestre de 2026, caso o mercado reaja positivamente ao resultado da eleição presidencial.
Um ambiente político mais estável tende a estimular as empresas a buscar capital. A Base, nesse sentido, não entraria no momento em que os investidores demonstrassem maior apetite por risco.
Com a chegada da Base Exchange, o mercado de capitais brasileiro se prepara para uma nova era de concorrência e inovação.
Fontebeincrypto



