Depois de um 2025 em que o Bitcoin ficou para trás enquanto ouro e ações de tecnologia dos Estados Unidos subiam, Arthur Hayes, investidor e fundador da BitMEX, diz que o mercado está olhando para o lugar errado.
Em texto publicado dia 14 de janeiro, ele argumenta que o desempenho fraco do BTC no ano passado foi consequência direta de um ambiente de contração de liquidez em dólarese que a virada de 2026 pode ser igualmente “simples”: se o dólar voltar a inundar o sistema, o Bitcoin tende a reagir com força.
A tese central de Hayes é que o Bitcoin se comporta como um ativo altamente sensível ao “pulso” de liquidez do dólar. Em termos práticos, quando há expansão de crédito e dinheiro circulando com facilidade, cresce o apetite por risco e ativos como BTC tendem a se beneficiar. Já quando ocorre o movimento oposto, o preço sofre. Para ele, foi exatamente isso o que marcou 2025: a liquidez em dólares caiu, e o Bitcoin “fez o que deveria fazer”, acompanhando esse fluxo para baixo.
Hayes usa uma comparação direta entre Bitcoin, ouro e Nasdaq 100, cruzando os três com um indicador próprio de “liquidez do dólar”. A surpresa para muitos, segundo ele, não é o Bitcoin ter caído, mas o fato de ouro e as ações de big tech foram subidos apesar dos acordos financeiros. É a partir dessa aparente contradição que ele desenvolveu o argumento de que cada um desses ativos respondeu a um motor diferente em 2025.
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No caso do ouro, Hayes diz que o comprador mais importante não foi o varejo, mas os bancos centrais e governamentais, os agentes que compram com foco em reduzir o risco político, não em buscar “o melhor preço”. Na visão dele, duas quebras de confiança aceleraram essa migração: a crise de 2008 (quando o Fed precisou intervir com força) e, principalmente, 2022, quando os EUA congelaram reservas ligadas à Rússia, reforçando a percepção de que títulos do Tesouro americano podem carregar risco de expropriação.
Já para as ações de tecnologia, Hayes defende que o mercado passou a operar com outra lógica, com a corrida por inteligência artificial virou um objetivo de Estado, tanto na China quanto nos Estados Unidos. Nessa leitura, o setor ganhou proteção política e acesso privilegiado ao capital, o que ajudaria a explicar por que o Nasdaq 100 conseguiu se descolar do acordo de liquidez que pesou sobre o Bitcoin em 2025.
O gatilho de 2026
Se 2025 foi o ano do aperto, Hayes diz que 2026 tem boas chances de virar o jogo porque as condições para expansão de liquidez estariam se formando. Ele resume o que chama de “três pilares” para um salto da liquidez em dólares: crescimento do balanço do Fed por meio de compras regulares de ativos, aumento do crédito bancário para setores considerados estratégicos e queda de juros hipotecários via estímulos ao mercado imobiliário.
No texto, ele lembra que o Fed encerrou o ciclo de aperto quantitativo (QT) em dezembro e passou a operar um novo programa de compras, o que, na sua conta, adicionaria pelo menos US$ 40 bilhões por mês ao balanço. Paralelamente, ele vê bancos comerciais aumentando o ritmo de crédito, e cita como exemplos iniciativas estratégicas de financiamento estratégico, incluindo um plano divulgado pelo JPMorgan que fala em mobilizar trilhões de dólares ao longo de anos para setores ligados à segurança e à resiliência econômica.
O terceiro vetor seria o mercado imobiliário. Hayes menciona uma diretriz para que entidades como Fannie Mae e Freddie Mac direcionem capital para compras de MBS (títulos lastreados em hipotecas), com o objetivo de empurrar taxas de hipoteca para baixo, liberar refinanciamentos e aumentar o “efeito riqueza” — e, por tabela, fortalecer a demanda por ativos de risco.
Para Hayes, a consequência é direta: se a liquidez em dólares realmente acelera, o Bitcoin tende a acompanhar. Ele chega a dizer para “esquecer 2025” e evita a conclusão de que o BTC “falhou” como tese, porque o que faltou foi combustível — não narrativa.
Investido em Bitcoin e Zcash
Por fim, Hayes afirma que quer ampliar risco e, em vez de usar derivativos, busca exposição “alavancada” ao Bitcoin via ações de empresas e veículos que carregam BTC no balanço, citando Strategy (MSTR) e a japonesa Metaplanet. Ele também menciona que, se o Bitcoin voltar a buscar a faixa de US$ 110 mil, essas ações podem atrair fluxo e ter desempenho acima do BTC por causa da alavancagem embutida.
Além disso, ele diz que continua aumentando a posição em Zcash (ZEC), interpretando as mudanças internacionais no ecossistema do projeto como uma oportunidade para comprar “com desconto”.
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Fonteportaldobitcoin



