Apenas 6% das altcoins conseguiram encerrar o último ano no positivo, evidenciando uma concentração iniciada de retornos no mercado criptográfico. O dado surge em um momento em que o Bitcoin recuou cerca de 6% no período e o Ethereum caiu aproximadamente 11%, reforçando que nem mesmo os grandes ficaram imunes à pressão vendedora. O panorama de fundo é um mercado mais seletivo, com obrigações restritas e apetite a risco reduzido.
No Brasil, o movimento coincidiu com uma forte correção recente: o BTC/BRL caiu de R$ 415.500 em 31/01 para R$ 404.594 em 02/02/2026, uma queda de 3% em 24h, enquanto as liquidações globais superaram US$ 2,5 bilhões em 01/02. Esse ambiente tornou-se ainda mais difícil para altcoins sustentarem altas consistências.
O resultado marcou uma ruptura com os ciclos anteriores, quando altas generalizadas impulsionaram praticamente todos os tokens. Agora, os prêmios de mercado poucos ativos com liquidez, narrativa clara e uso comprovado.
O que explica apenas 6% das altcoins no positivo?
Em termos simples, o capital deixou de se espalhar e passou a se concentrar. O Bitcoin absorveu a maior parte dos fluxos, inclusive institucionais, mesmo com saídas líquidas de US$ 278 milhões dos ETFs de BTC em janeiro de 2026, enquanto a maioria das altcoins sofreu com volumes minguando.
Altcoins de média e pequena porta registraram quedas expressivas no volume diário, muitas abaixo de US$10 milhões, transferindo liquidez e ampliando volatilidade. Esse cenário ajuda a explicar a queda das altcoins observada ao longo do ano.
Além disso, as análises on-chain reforçam o quadro defensivo. O fornecimento de BTC nas exchanges segue no mínimo de vários anos, abaixo de 12%, sinalizando retenção de longo prazo, enquanto muitas altcoins viram aumento de tokens em corretoras, geralmente um sinal de pressão vendedora.
Concentração de capital muda a lógica da temporada altcoin
Historicamente, uma alta sustentação do Bitcoin abriu espaço para rotação em altcoins. Em 2025 e início de 2026, essa dinâmica falhou, resultando em uma temporada de altcoin fraca e altamente seletiva.
Indicadores técnicos reforçam a cautela. Muitas altcoins encerraram o ano com RSI semanalmente abaixo de 40, território de fraqueza, enquanto o MACD ocorreu negativo por meses. Em vários casos, os preços ficaram abaixo das médias móveis de 200 dias, um sinal clássico de tendência de baixa.
Segmentos mais especulativos, como memecoins em queda, perderam rapidamente tração após picos de euforia, ampliando o número de projetos no vermelho.
Como isso afeta investidores brasileiros?
Para o investidor local, o dado de que mais de 90% das altcoins fecharam o ano em queda desafiará a estratégia de diversificação ampla. A transparência elevada em momentos de estresse protege a proteção que muitos esperavam ao montar cestas grandes de tokens.
Bitcoin, apesar da volatilidade, demonstrou maior resiliência. Mesmo tendo superado US$75.200 recentemente, o ativo mantém hash rate em máximas históricas e suporte técnico relevante entre US$72.000 e US$74.000, enquanto resistência se concentra em US$80.000.
O contraponto é que os mercados criptográficos são cíclicos. Uma mudança sem apetite a risco, regulatória clara ou novos casos de uso podem reabrir espaço para uma recuperação mais ampla das altcoins, mas os dados atuais sugerem seletividade extrema.
Por agora, o recado é claro: retornos deixados de serem distribuídos de forma uniforme. Entender fundamentos, estatística e análises on-chain tornou-se essencial para navegar um mercado cada vez mais concentrado.
Fontecriptofacil



