O mercado de criptomoedas sofreu uma queda generalizada após o aumento das tensões geopolíticas entre EUA, Venezuela e países europeus, levando investidores globais a reduzir a exposição a ações de risco. Em apenas 48 horas, o valor total do mercado criptográfico encolheu entre US$ 100 bilhões e US$ 150 bilhões, segundo dados compilados por veículos internacionais. O movimento reforça uma narrativa macro já conhecida: choques geopolíticos seguem instruções criptográficas mais por aversão a risco do que por fundamentos específicos.
O impacto foi imediato nos preços, com as altcoins liderando as perdas enquanto o Bitcoin rompeu suportes técnicos importantes. O BTC caiu abaixo da faixa de US$ 92.000–US$ 91.000, intensificando liquidações e ampliando o sentimento negativo no curto prazo. Para investidores brasileiros, o episódio destacado como fatores externos podem gerar volatilidade abrupta, mesmo sem mudanças relevantes na cadeia.
Esse cenário ocorre em meio a uma migração clara para ativos defensivos, como ouro e títulos soberanos, enquanto a criptografia volta a se comportar como ativo de risco tradicional. Segundo dados do mercado, o índice Fear & Greed despencou 21 pontos em um único dia, de 49 para 28, sinalizando medo elevado entre os participantes.
O que aconteceu com as altcoins?
Em termos simples, o mercado entrou em modo “risk-off”, quando os investidores examinaram posições mais voláteis diante de incertezas globais. Altcoins, que possuem menor liquidez e maior beta em relação ao Bitcoin, tendem a cair mais rápido e com maior intensidade nesses cenários. O resultado foi uma sequência de quedas de dois dígitos em diversos tokens de capitalização média.
O Bitcoin, apesar de também cair, mostrou resiliência relativa frente às altcoins, reforçando o domínio do Bitcoin no ciclo atual. Tecnicamente, o RSI diário do BTC caiu para a região de 38 pontos, próximo de sobrevenda, enquanto o MACD segue negativo, mas com perda de força vendedora.
Do lado institucional, os ETFs de Bitcoin à vista registraram saídas líquidas superiores a US$ 681 milhões entre 5 e 9 de janeiro, segundo dados da Coin360. Esse fluxo reforçou a pressão vendedora e ajudou a quebrar suportes técnicos importantes.
Impactos estruturais e leitura de mercado
Apesar do sell-off amplo, as análises on-chain não apresentam pânico estrutural. A oferta de Bitcoin nas exchanges segue em tendência de queda no acumulado do ano, indicando que detentores de longo prazo não estão distribuindo agressivamente. Além disso, a taxa de hash permanece próxima das máximas históricas, um sinal de confiança dos mineradores.
Curiosamente, alguns produtos ligados a Solana e XRP registraram entradas líquidas mesmo durante a queda, queda na distribuição institucional seletiva. Segundo dados da AscendEX, ETFs e veículos desses ativos atraíram capital enquanto o mercado mais amplo se recuperava.
Para o investidor brasileiro, isso sugere que nem toda queda reflete problemas estruturais em nossos projetos. Em muitos casos, trata-se de ajuste macro, semelhante ao observado recentemente quando o mercado reagiu à tensão tarifária EUA-UE.
Quais são os riscos daqui para frente?
Do ponto de vista técnico, o Bitcoin precisa recuperar a região de US$ 92.500 para aliviar a pressão no curto prazo. Caso contrário, o próximo suporte relevante está em US$ 88.000, nível onde houve forte volume de compradores anteriormente. A perda desse patamar poderia reaparecer quedas mais profundas nas altcoins.
Por outro lado, uma estabilização do cenário geopolítico pode rapidamente devolver o apetite ao risco. Como mostrou o histórico recente, os movimentos motivados por macro tendem a ser rápidos tanto na queda quanto na recuperação.
Em síntese, o episódio reforça a importância da gestão de risco e da leitura macro para investidores brasileiros. Em mercados voláteis, entender o “porquê” da queda é tão importante quanto acompanhar o preço — especialmente para diferenciar ruído de oportunidade.
Fontecriptofacil



