EUA querem Groenlândia como base para minerar Bitcoin

A aprovação do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul pode elevar as exportações brasileiras em até US$ 7 bilhões, segundo estimativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil). O pacto cria um mercado de aproximadamente US$ 22 trilhões, reunindo mais de 700 milhões de consumidores entre os dois blocos.

O aumento planejado no volume de comércio reforça um problema pouco estrutural planejado: enquanto os acordos comerciais limitam as barreiras tarifárias, a infraestrutura de pagamentos internacionais permanece lenta e custosa.

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“Hoje, pagamentos internacionais ainda sem múltiplos intermediários, prazos imprevisíveis e estruturas transparentes. Em cadeias longas, como as do agronegócio, essa ineficiência afeta diretamente o fluxo de caixa, planejamento financeiro e competitividade”, explica Nildson Alves, CEO da Onda Finance, fintech especializada em operações cambiais.

Atualmente, as transferências via SWIFT — sistema dominante no comércio global — levam entre 1 e 5 dias úteis para conclusão, com custos que variam de 2% a 5% sobre o valor da operação, segundo dados de instituições financeiras.

Mercado de stablecoins atinge US$ 311 bilhões: acordo UE-Mercosul pode contribuir ainda mais

Nesse contexto, cresce o interesse por stablecoins como alternativa para pagamentos transfronteiriços. O mercado dessas criptomoedas últimas em moeda tradicional encerrou 2025 com capitalização de US$ 311 bilhões e registrou mais de US$ 28 trilhões em transações globais — volume que supera, somadas, as operações de Visa e Mastercard no período, segundo dados do Mercado Bitcoin.

“As stablecoins permitem liquidação quase imediata, intervenções intermediárias e diminuição de custos. Mas o ganho mais relevante está no acesso direto à liquidez dolarizada, com previsibilidade e rastreabilidade”, afirma Alves. Para empresas exportadoras, a tecnologia significa reduzir a exposição cambial no curto prazo e estruturar pagamentos internacionais de forma mais eficiente.

A Bloomberg Intelligence projeta que os fluxos de pagamentos com stablecoins podem atingir US$ 56 trilhões até 2030, crescimento anual de 81% em relação aos US$ 2,9 trilhões registrados em 2025.

Casos práticos no comércio exterior

No Brasil, cerca de 70% a 80% das negociações de criptoativos já envolvem stablecoins, segundo análise do Bitybank. A fintech brasileira Lumx, especializada em pagamentos internacionais com essas moedas digitais, transacionou cerca de R$ 1 bilhão em 2025 atendendo 20 clientes corporativos.

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“Em uma exportação do Brasil para a Espanha, o modelo tradicional pode levar vários dias para concluir o pagamento, passando por diferentes bancos e sistemas. Com stablecoins, essa mesma operação pode ser liquidada em poucas horas, com rastreabilidade total da transação”, exemplifica o CEO da Onda Finance.

Além disso, essa infraestrutura permite estruturar a antecipação de recebíveis ou o financiamento da operação, utilizando liquidez dolarizada de forma programática, com regras claras de liberação de recursos e garantias.

Infraestrutura e regulação

A adoção empresarial ainda enfrenta barreiras. A partir de 2026, empresas que operam com criptografia no Brasil precisarão obter licenças que liberem capital de R$ 2 milhões a R$ 5 milhões, segundo regulamentos em fase de implementação.

Apesar disso, o ambiente regulatório vem evoluindo. A União Europeia aprovou em 2024 uma regulamentação MiCA para ativos digitais, enquanto nos Estados Unidos a Lei GENIUS, sancionada em julho de 2025, criou estrutura para stablecoins. Empresas como Western Union e MoneyGram anunciaram integração de stablecoins em suas plataformas de remessas para 2026.

“A evolução regulatória no Brasil e no exterior vem criando um ambiente cada vez mais favorável para esse tipo de infraestrutura. Empresas que se preparam desde já tendem a ganhar vantagem competitiva”, avalia o executivo da Onda Finance.

Perspectivas

Com a entrada em vigor do acordo UE-Mercosul, os exportadores brasileiros terão maior volume de operações internacionais, sendo um contexto perfeito para a adoção das stablecoins. “Mais do que uma discussão sobre criptoativos, estamos falando da modernização da base financeira que sustenta o comércio internacional”, conclui Alves.

Fontebeincrypto

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