A Strategy, antiga MicroStrategy, registrou uma expressiva valorização em suas ações desde o início de fevereiro. Após atingir um mínimo local em 5 de fevereiro, o preço das ações da MSTR subiu quase 33% em poucas sessões. O movimento acompanhou tanto a recuperação do Bitcoin quanto o renovado interesse de grandes investidores no modelo de negócio atrelado ao Bitcoin, liderado por Michael Saylor.
Esse avanço nas ações da Estratégia parece consistente à primeira vista. No entanto, é fundamental analisar o contexto. A principal questão é se esse rali reflete confiança na estratégia de longo prazo do Bitcoin adotada pela Strategy ou se é apenas mais uma onda passageira impulsionada pelo sentimento do mercado criptográfico.
Bitcoin e resultados explicam a recuperação, mas também os seus limites
O comportamento de preço da ação da Estratégia no longo prazo permanece fortemente vinculado ao Bitcoin.
Patrocinado
Patrocinado
Após o Bitcoin atingir o máximo próximo de US$ 126 mil em outubro, a pressão vendedora se comprometeu pelas empresas com exposição ao setor criptográfico. A Estratégia acompanhou imediatamente. Desde o pico de outubro, as ações da Strategy caíram mais de 70% enquanto o Bitcoin enfrentava correção intensa.
Desde 5 de fevereiro, o Bitcoin se recuperou cerca de 11%, indo de perto de US$ 63 mil para US$ 70 mil. No mesmo intervalo, a Estratégia avançou por volta de 33%. Essa ocorrência de três para um ressalta o quanto a ação segue alavancada às oscilações do Bitcoin, reforçando um forte brilho entre estratégia e o ativo digital.
O resultado financeiro adicionou um segundo fator de sustentação.
No balanço do quarto trimestre de 2025, a Estratégia registrou receita de US$ 123 milhões, avanço de 1,9% em relação ao ano anterior. A receita com assinaturas aumentou mais de 62%, evidenciando resiliência nas operações em nuvem. As margens brutais chegaram perto de 66%, garantindo fluxo de caixa estável para o segmento principal de software.
O expressivo prejuízo líquido foi provocado principalmente por perdas contábeis não financeiras relacionadas às reservas de Bitcoin acumuladas segundo a estratégia de longo prazo de Michael Saylor. Não houve sinalização de fragilidade operacional. A administração destacou a continuidade da aquisição de Bitcoin e o foco na visão de longo prazo.
Essa isenção — estabilização do Bitcoin e receitas acima do previsto — serviu de base para a recuperação dos papéis da MicroStrategy.
No entanto, o cenário também revela uma limitação. Enquanto o Bitcoin segue determinando a avaliação, o potencial de valorização da Estratégia continuará atrelado aos ciclos do mercado criptográfico. Por isso, o posicionamento institucional se torna ainda mais decisivo.
Patrocinado
Patrocinado
Grandes investidores acumulam discretamente, mas o mercado segue sob controle dos ursos
Um dos sinais mais relevantes vem do Chaikin Money Flow (CMF).
O CMF avalia se investidores de grande porte estão comprando ou vendendo ao ponderar preço e volume. Quando o índice sobe, sugere acumulação. Na queda, indica distribuição.
Entre o final de novembro e o início de fevereiro, as ações da Estratégia seguiram caindo. Porém, o CMF apresentou trajetória ascendente no mesmo período. Isso configurou uma divergência altista. Enquanto os investidores de varejo mostravam cautela diante das ações da MicroStrategy, os grandes operadores aumentavam suas posições discretamente.
Após 5 de fevereiro, o CMF voltou a ficar acima de zero pela primeira vez desde dezembro. O movimento indica a entrada de novo capital no papel. Isso sugere que gestores de grandes recursos estão se reposicionando para uma possível recuperação do Bitcoin e enxergam a Estratégia, antiga MicroStrategy, como uma alternativa alavancada para refletir essa perspectiva.
Entretanto, os indicadores de impulso trazem um sinal mais cauteloso.
Patrocinado
Patrocinado
O Bull-Bear Power mede a pressão de curto prazo do lado dos compradores ou vendedores. Mesmo com o salto de 33% nas ações da Estratégia, esse indicador permanece negativo. Os vendedores ainda predominam. Isso indica que a acumulação está em andamento, mas o controle do mercado não mudou de mãos.
Em resumo: instituições seguem comprando, mas ainda não demonstram disposição para contribuição monetária sobre o preço. Isso torna o rali sujeito a reveses inesperadas.
A fragilidade também aparece na estrutura da tendência.
Ação da Estratégia segue abaixo de barreiras-chave de tendência apesar da alta de 33%
A confirmação de tendência permanece incompleta. As Médias Móveis Exponenciais, ou EMAs, são médias de preços que atribuem maior peso aos dados mais recentes. Elas auxiliam na identificação do fortalecimento ou enfraquecimento de uma tendência.
Patrocinado
Patrocinado
Quando o preço opera abaixo dos principais EMAs, os ralis costumam fracassar. Ao recuperar essas médias, normalmente o impulso melhora. No momento, a Estratégia permanece abaixo da EMA de 20 dias. Esse patamar tem atuado como resistência ao longo da tendência de baixa do preço das ações da Estratégia.
No início de outubro, na última vez que o preço das ações da MicroStrategy superou a EMA de 20 dias, os papéis avançaram mais 10% logo em seguida, confirmando a força da tendência. O movimento atual ainda não atingiu esse ponto. Sem uma recuperação clara da EMA, os ralis tendem a perder força. Isso também eleva a sensibilidade ao Bitcoin. Até mesmo uma leve correção do BTC pode levar a uma retomada das vendas no MSTR.
A estrutura agora é definida por um conjunto restrito de níveis-chave. No lado positivo, US$ 138 é a primeira grande resistência. Um fechamento diário acima dessa faixa indica melhoria no desempenho das ações do MSTR.
Acima desse patamar, US$ 150 representam o obstáculo crítico. Esse nível coincide com uma resistência psicológica e uma mídia móvel importante (EMA). Um avanço consistente acima de US$ 150 sinalizaria real recuperação de tendência para as ações da MSTR.
Caso US$ 150 seja recuperado, o próximo alvo se encontrará próximo a US$ 189. Apenas acima desse patamar um avanço mais amplo em direção a US$ 300 se voltaria viável, embora este siga sendo um cenário secundário. No lado negativo, o risco segue evidente.
A faixa entre US$ 107 e US$ 104 marca o piso de fevereiro, região já testada anteriormente. Uma queda abaixo de US$ 104 invalidaria o movimento de recuperação.
Se isso ocorrer, o preço das ações da MicroStrategy pode cair para US$ 82. Uma fraqueza adicional pode exportar para a região de US$ 56, próximo ao nível de retração de Fibonacci de 0,618.
Fontebeincrypto




