A próxima semana poderá ser crucial para os mercados, incluindo o bitcoin, já que sete grandes bancos centrais, incluindo o poderoso Federal Reserve, anunciarão decisões sobre taxas em meio a ganhos no preço do petróleo impulsionados pela guerra que ameaçam reacender a inflação na economia global.
O calendário econômico lotado da semana inclui a decisão da taxa do Reserve Bank of Australia (RBA) em 17 de março, seguida pelo Banco do Canadá (BOC) e pelo Fed em 18 de março, e termina com o Banco do Japão (BOJ), Swiss National Bank (SNB) e Banco Central Europeu (BCE) em 19 de março.
Até recentemente, os mercados esperavam que a maioria dos principais bancos centrais, liderados pela Fed, reduzissem de forma constante as taxas de juro (ou evitassem o aperto) este ano. A rápida emergência da inteligência artificial como força desinflacionista — com potencial para perturbar o mercado de trabalho — reforçou esta tendência para custos de financiamento mais baixos. Essa perspectiva apoiou ativos de risco, incluindo Bitcoin.
No entanto, a guerra que começou em 28 de Fevereiro, com ataques coordenados dos EUA e de Israel ao Irão, que desde então envolveu ataques retaliatórios generalizados e interrompeu o transporte de energia através do Médio Oriente, alterou essa perspectiva.
O aumento dos preços do petróleo reacendeu as preocupações com a inflação, forçando os comerciantes a reavaliarem as expectativas das taxas de juro. Alguns temem que os bancos centrais respondam à evolução da situação macroeconómica inflacionista com custos de financiamento mais elevados.
Como tal, dicas agressivas na próxima semana podem desencadear volatilidade negativa em ativos de risco, incluindo Bitcoin. Este cenário parece plausível, uma vez que os decisores políticos – lembrando-se do erro que cometeram em 2021-22, quando consideraram a inflação transitória e provaram que estavam errados – desta vez poderão ser extremamente rápidos a conter as pressões crescentes sobre os preços.
Se permanecerem neutros ou dependentes dos dados, num modo de esperar para observar, ou se minimizarem os receios inflacionários, os activos de risco poderão aumentar. Esta possibilidade também não pode ser descartada.
“Como todos os choques de oferta, a primeira resposta do Fed a um aumento no preço do petróleo é observar e avaliar os danos”, disse o economista e observador do Fed, Ethan Harris, num post no LinkedIn.
“Há duas razões para esta hesitação. Primeiro, os choques petrolíferos diminuem simultaneamente o crescimento e aumentam a inflação. Antes de agir, a Fed quer descobrir qual é o maior problema. Em segundo lugar, a maioria desses choques são transitórios. A Fed não quer alterar as taxas, apenas reverter a mudança semanas mais tarde”, explicou.
Historicamente, apenas o Fed – e possivelmente o BOJ – exerceram influência significativa sobre os preços do Bitcoin. Com os preços do petróleo já pressionando todos os cantos da sociedade japonesa, a decisão do BOJ na próxima sexta-feira poderá ser particularmente crucial tanto para os mercados domésticos como para o bitcoin.
Fontecoindesk




