O Bitcoin opera acima de US$ 65.500 nesta quinta-feira (23), praticamente estável no dia, enquanto os investidores dividem atenção entre a volta de entradas em ETFs de BTC, o avanço dos gastos com inteligência artificial e novas dúvidas sobre a aprovação da lei de criptografia dos Estados Unidos.
Nesta manhã, o Bitcoin tem leve queda de 0,5%, cotado a US$ 65.684 em 24 horas. Em reais, a maior criptomoeda do mundo estava em R$ 334.165, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, sobe 0,2%, a US$ 1.925. Já o XRP recua 0,2%, enquanto Solana sobe 0,1% e o BNB tem queda de 0,1%.
O movimento mostra um mercado em compasso de esperança: o BTC chegou a superar US$ 66 mil pela primeira vez desde meados de junho, mas perdeu parte do fôlego diante das incertezas regulatórias e da proximidade da próxima decisão de juros do Federal Reserve.
O principal ponto negativo veio de Washington. Um grupo de senadores democratas importantes afirmou que a nova versão do Clarity Act (Digital Asset Market Clarity Act), ainda “fica aquém” em regras de ética e outros pontos considerados críticos.
A ocorrência foi imediata nos mercados de previsão. Na Polymarket, as chances implícitas de aprovação do Clarity Act caíram de 46% para 38%, sinalizando que os investidores passaram a ver mais risco político no projeto.
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Uma nova minuta da lei foi divulgada pelos republicanos do Senado na quarta-feira e inclui uma regra de ética negociada com a Casa Branca e aceita pelo presidente Donald Trump. O senador Bernie Moreno chegou a chamar o texto de “a linguagem de ética mais poderosa da história dos Estados Unidos”. Mesmo assim, a sinalização democrata mostra que o acordo ainda pode não ser suficiente para destravar a votação.
ETFs de Bitcoin voltam a ser captados
Se a política pesa, os fluxos institucionais ajudam. ETFs de Bitcoin à vista listados nos Estados Unidos registraram quase US$ 1 bilhão em entradas líquidas ao longo de sete negociações consecutivas, segundo dados da SoSoValue.
Apenas nesta semana, os investidores alocaram quase US$ 500 milhões em produtos, no melhor desempenho desde o início de maio. A sequência reforça a leitura de que parte da demanda institucional voltou ao mercado depois de semanas marcadas por saídas e queda no preço do BTC.
Mesmo assim, a recuperação ainda é cautelosa. O Bitcoin chegou à região de US$ 65 mil, mas não conseguiu transformar a entrada de recursos nos ETFs em uma alta mais forte. Para isso, o mercado deve precisar de uma combinação de fluxo positivo, melhora no apetite por risco e redução das incertezas regulatórias.
O ambiente macro também segue relevante. O balanço da Alphabet, dona do Google, era um dos eventos mais aguardados da semana por dar pistas sobre a força dos investimentos em inteligência artificial.
A empresa apresentou receita de US$ 119,8 bilhões, alta de 24%, e crescimento de 82% na divisão de nuvem, acima das expectativas. Mas também elevou sua previsão de gastos de capital em 2026 para uma faixa entre US$ 195 bilhões e US$ 205 bilhões, citando uma corrida para atender à demanda por infraestrutura de IA.
As ações da Alphabet caíram no after-market, com investidores preocupados com gastos maiores e menor geração de caixa livre. Para o setor de chips, porém, a leitura foi mais positiva: mais investimento em IA significa mais demanda por semicondutores. As bolsas asiáticas reagiram bem, com o Kospi subindo 3,6% e as ações da Samsung e SK Hynix avançando mais de 2%.
Essa dinâmica é importante para o Bitcoin porque o BTC tem acompanhado de perto o humor das ações de tecnologia ao longo do mês. Quando o setor de chips sobe, o apetite por risco melhora e tende a ajudar criptoativos. Quando surgem dúvidas sobre gastos com IA, o Bitcoin também costuma sentir pressão.
Outro ponto de atenção é o petróleo, que continua subindo em julho e voltou a preocupações alimentares com inflação. Esse movimento pode complicar a leitura do Fed, que se reúne nos dias 28 e 29 de julho.
Para o Bitcoin, os próximos dias deverão ser decisivos. Por outro lado, cerca de US$ 1 bilhão em ETFs mostra que ainda existe uma demanda institucional. Por outro lado, a resistência democrática ao Clarity Act e a proximidade do Fed impedem uma leitura mais otimista.
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Fonteportaldobitcoin



