Cantor Fitzgerald e Securitizar anunciou uma parceria em 15 de julho para trazer IPOs e ofertas de acompanhamento por empresas públicas na infraestrutura blockchain, em um esforço para expandir a tokenização da negociação no mercado secundário para o processo primário de captação de capital dos mercados de capitais tradicionais.
Cantor se volta para securitizar para IPOs na rede
A Cantor Fitzgerald está tentando abrir um novo caminho para os mercados de capitais tradicionais, em parceria com a Securitize para trazer IPOs e ofertas subsequentes de empresas públicas para a infraestrutura blockchain. No seu anúncio de 15 de julho, as duas partes afirmaram que este modelo ainda funcionará no âmbito dos mercados de capitais tradicionais, mas utilizará a tokenização para emitir, distribuir e gerir títulos de uma forma mais digital.
Securitize e Cantor Fitzgerald estão trazendo IPOs e ofertas subsequentes para a rede.
Juntos, estamos criando uma forma regulamentada para as empresas levantarem capital e realizarem IPOs usando infraestrutura baseada em blockchain. pic.twitter.com/lWmaXrvT7E
– Securitizar (@Securitize) 15 de julho de 2026
Se for implementado com sucesso em IPOs, atingirá o cerne dos mercados de capitais próprios, onde o processo primário de captação de capital ainda depende fortemente de múltiplas camadas de intermediários e de processos de verificação pós-negociação altamente manuais. Para a Cantor, esta é uma forma de fazer a transição de seus recursos de ECM e de negociação para uma nova camada de infraestrutura; para a Securitize, é uma oportunidade de aprofundar a tecnologia de tokenização na emissão de títulos públicos.
Como funcionariam os IPOs na rede
De acordo com o anúncio, a Cantor será responsável pela estrutura e distribuição do mercado, enquanto a Securitize fornecerá a infraestrutura para emissão, distribuição e manutenção de títulos tokenizados. Neste modelo, o blockchain não substitui todo o processo de IPO, mas serve como camada de infraestrutura para registro, transferência e gerenciamento de direitos de propriedade.
Os investidores ainda participarão de uma oferta seguindo a lógica dos mercados de capitais tradicionais, mas os títulos poderão ser representados como tokens na blockchain. A Securitize enfatizou que a implementação permanece dentro de uma “estrutura estabelecida de mercado de capitais”, o que significa que ainda deve aderir aos requisitos existentes em matéria de ofertas, custódia, liquidação e supervisão de transações.
A inclusão de Securitizar MercadosLLC, uma corretora registrada na SEC, nesta estrutura demonstra que o modelo foi projetado para operar dentro do sistema regulatório existente. A novidade reside na forma como a infraestrutura é mais digitalizada e não em contornar as regulamentações de valores mobiliários.
Histórico da Securitize
A Securitize foi fundada em 2017 e construiu uma posição altamente distinta no setor de ativos tokenizados. De acordo com Securitizara empresa agora gerencia mais de US$ 5 bilhões em ativos em julho de 2026 e declarou que tokenizou mais de US$ 4 bilhões em ativos. Entre seus produtos mais proeminentes está o BUIDL da BlackRock, um fundo de tesouro tokenizado que tem sido observado de perto pelo mercado no ano passado.
A empresa também abriu recentemente o capital sob o ticker SECZ após um acordo de fusão SPAC envolvendo Cantor Fitzgerald, com uma avaliação de aproximadamente US$ 1,25 bilhão, de acordo com fontes relatadas anteriormente. As ações da Securitize subiram após a notícia da parceria com a Cantor, mostrando que os investidores estão vendo este acordo como parte da história de expansão da empresa, em vez de apenas um anúncio focado na mídia.
Por que Wall Street está caminhando em direção à tokenização
O acordo Cantor-Securitize chega num momento em que Wall Street está intensificando os testes de tokenização em larga escala. To Wall Street Journal (WSJ) informou que o DTCC está lançando um teste para tokenizar ações e títulos do Tesouro com quase 40 instituições participantes, incluindo JPMorgan, Goldman Sachs, BlackRock, Vanguard e NYSE. A participação de muitos nomes importantes indica que a tokenização está gradualmente a mudar de um tema experimental para uma direção de atualização da infraestrutura financeira.
Wall Street está interessada na tokenização porque os processos tradicionais de emissão e negociação ainda passam por muitas camadas intermediárias, criando atritos no registo de propriedade, liquidação e distribuição. Espera-se que a tokenização reduza esses atritos, aumente as capacidades de rastreamento e expanda o alcance da distribuição, permanecendo dentro das estruturas regulatórias existentes.
O que assistir a seguir
Este modelo só será comprovado quando um primeiro emissor realmente o utilizar. Atualmente, o acordo apenas abre caminho para IPOs em rede e ofertas subsequentes, enquanto o impacto real só ficará claro quando a primeira transação ocorrer.
Os detalhes operacionais também determinarão até onde o modelo pode ir, desde direitos de voto, dividendos e restrições de transferência até a liquidação final.
Outro ponto a ser observado é se as ofertas na rede começarão com ofertas subsequentes ou irão direto para IPOs primários. Se as ofertas subsequentes se mostrarem eficazes, poderão servir como um trampolim para negócios maiores no futuro.
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