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A Strategy, empresa de Michael Saylor e maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo, roubou mais 520 BTC entre os dias 15 e 21 de junho, segundo documento enviado à SEC nesta segunda-feira (22). A aquisição foi feita por aproximadamente US$ 34,9 milhões, a um preço médio de US$ 67.068 por Bitcoin.

Com a nova compra, a companhia passou a deter 847.363 BTC, avaliados em cerca de US$ 54,8 bilhões aos preços atuais. O preço médio de aquisição da Strategy é de US$ 75.651 por Bitcoin, o que significa que a empresa investiu cerca de US$ 64,1 bilhões na criptomoeda, incluindo taxas e despesas.

A posição equivale a mais de 4% da oferta máxima de 21 milhões de bitcoins. Apesar do tamanho da reserva, a queda recente do BTC faz com que a empresa acumule um prejuízo não realizado de aproximadamente US$ 9,3 bilhões.

As novas compras foram financiadas pela venda de ações ordinárias MSTR por meio de um programa no mercado, mecanismo que permite à companhia emitir papéis diretamente no mercado. Na semana passada, a Strategy vendeu 2,71 milhões de ações MSTR e anunciou cerca de US$ 335,5 milhões.

Segundo a empresa, ainda restam US$ 25,4 bilhões em ações MSTR disponíveis para emissão e venda dentro desse programa. A Estratégia também ampliou recentemente seus programas de captação para incluir até US$ 21 bilhões adicionais em MSTR, outros US$ 21 bilhões em ações preferenciais STRC e US$ 2,1 bilhões em STRK.

Leia também: Por que as ações STRC da Estratégia estão caindo para seus mínimos históricos

A compra desta semana foi menor do que a anterior, quando a Strategy havia adquirido 1.587 BTC por cerca de US$ 100 milhões. Ainda assim, a operação mostra que a empresa segue ampliando sua tesouraria em Bitcoin mesmo em um momento de maior pressão sobre seu modelo de financiamento e sobre o preço da criptomoeda.

Caixa em dólar cresce para US$ 1,4 bilhão

Além da nova compra de BTC, a Estratégia também reforçou sua reserva em dólar. A companhia informou que sua caixa em moeda americana era de US$ 1,4 bilhão em 21 de junho, acima dos US$ 1,1 bilhão divulgados uma semana antes. O valor inclui recursos esperados de vendas de ações realizadas no programa at-the-market, mas ainda não liquidadas.

O aumento da reserva ocorre depois de questionamentos sobre a decisão recente da Estratégia de vender 32 BTC para cobrir dividendos de suas ações preferenciais. Embora o valor tenha sido pequeno em comparação com a tesouraria total da empresa, a operação sustou parte do mercado por contrariar a narrativa histórica de acumulação contínua de Bitcoin.

Analistas de Benchmark e TD Cowen, porém, minimizaram os temores de que uma empresa esteja entrando em uma espécie de ciclo negativo. Mark Palmer, da Benchmark, afirmou que a tese de “espiral da morte” pressupõe que a Estratégia estaria a uma semana ruim de vender bitcoins, mas ignora etapas importantes antes disso.

Segundo Palmer, antes de realizar qualquer venda relevante de BTC, a empresa teria de consumir uma reserva de caixa destinada ao pagamento de dividendos. O aumento da reserva em dólar, portanto, ajuda a reduzir a percepção de risco sobre a necessidade de novas vendas da criptomoeda no curto prazo.

Analistas da TD Cowen também avaliaram que a obrigação de pagar dividendos da STRC deve ser administrável, considerando as reservas da companhia. Eles ponderaram, no entanto, que o preço do Bitcoin precisa continuar se valorizando, ainda que modestamente, para que os planos da Estratégia funcionem como esperado.

A STRC é uma ação preferencialmente utilizada pela Strategy como parte de sua estrutura de captação. Esses instrumentos permitem levantar recursos junto com investidores na troca de pagamentos de dividendos, ajudando a financiar novas compras de Bitcoin. O modelo, porém, depende da confiança do mercado na capacidade da empresa de manter os pagamentos e sustentar sua estratégia de tesouraria.

O reforço da caixa em dólar parece buscar justamente esse equilíbrio. Ao mesmo tempo em que continua comprando Bitcoin, a Strategy tenta mostrar que possui liquidez suficiente para cumprir obrigações financeiras sem depender imediatamente da venda de BTC.

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Fonteportaldobitcoin

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