O mercado criptográfico passou a operar de forma mais estável depois da divulgação do índice de inflação dos Estados Unidos, mas algumas criptomoedas seguiram lesões mais intensas nesta quarta-feira (10). Tokens como Zcash (ZEC), Hyperliquid (HYPE), Cardano (ADA), Ondo (ONDO) e Bitcoin Cash (BCH) continuam entre os principais destaques negativos, em um sinal de que a versão a risco ainda pesa sobre parte do mercado.
O dado de inflação era aguardado com atenção pelos investidores porque poderia indicar se o Federal Reserve teria mais ou menos espaço para aliviar os juros nos próximos meses. O IPC de maio subiu 4,2% em 12 meses e 0,5% na comparação mensal, em linha com as expectativas do mercado. O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, avançou 2,9% na base anual e 0,2% no mês.
Como o número veio dentro do esperado, o impacto imediato foi menos negativo do que poderia ter sido em um cenário de surpresa inflacionária. Ainda assim, o resultado mantém a inflação americana bem acima da meta de 2% do Fed, o que limita o apetite por ativos de risco e reduz a chance de uma mudança rápida na política monetária, com investidores ainda acreditando em uma alta de juros este ano.
Nesse ambiente, o Bitcoin conseguiu aliviar parte da pressão recentemente, mas ainda negocia em uma região sensível para traders. Depois de ter perdido força nos últimos dias, a criptomoeda segue observada de perto por operar próxima de médias técnicas relevantes e por ainda refletir uma estrutura de mercado cautelosa. No fim desta manhã, o BTC operou com leve alta de 0,2%, cotado a US$ 61.869.
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A pressão, porém, aparece de forma mais clara em tokens de maior beta, que costumam reagir com mais força a movimentos de mudança a risco. ZEC e HYPE chegaram a cair mais de 10% em 24 horas, enquanto ADA, ONDO e BCH também registraram perdas mais acentuadas do que o restante do mercado.
Com o rompimento no mercado, essas criptomoedas também melhoraram seus desempenhos, mas ainda lideraram as perdas. O Zcash recua 5,2%, ao passo que o Hyperliquid cai 3,9% e o Stellar perde 5,3%.
O desempenho mostra que a leitura dos investidores não é apenas sobre o dado de inflação em si, mas sobre a combinação entre juros ainda elevados, liquidez mais competitiva e reposicionamento em derivativos. Em momentos de incerteza, moedas com altas recentes, narrativas específicas ou menor liquidez relativa tendem a sofrer mais do que Bitcoin e Ethereum.
Derivativos ainda mostram cautela
Apesar da estabilização após o CPI, o mercado de derivativos ainda indica cautela. Nas últimas 24 horas, o volume de futuros criptográficos aumentou, enquanto o interesse em aberto recuou, indicando que parte das posições alavancadas foi negativa durante a volatilidade recente.
As liquidações também aumentaram, com posições compradas respondendo pela maior parte do total. Esse tipo de movimento costuma ocorrer quando o mercado tenta se recuperar, mas encontra nova pressão do vendedor antes de consolidar uma reversão.
No Bitcoin, o interesse em abrir nos futuros avançou mesmo com a queda de preço, o que pode indicar abertura de novas posições vendidas. A leitura é reforçada pelas taxas de financiamento negativas em contratos perpétuos e pelos indicadores de fluxo que mostram os investidores agredindo o livro, em vez de apenas posicionarem ordens passivas.
A mesma configuração aparece em Solana, Ethereum e XRP, com financiamento e volume delta acumulado em território negativo. Isso sugere que, embora o choque inicial da CPI tenha sido absorvido, os comerciantes ainda mantêm proteção ou apostas contra uma recuperação rápida.
No mercado de opções, a demanda por proteção contra quedas também segue elevada. As opções de venda de curto prazo em Bitcoin e Ethereum continuam negociando com prêmio relevante sobre chamadas, um sinal de que os investidores ainda pagam mais caro para se protegerem de novas quedas do que para apostar em altas imediatas.
Esse ambiente ajuda a explicar por que algumas altcoins seguem mesmo com uma melhoria parcial do humor geral. A inflação dentro do esperado prejudica o risco de uma nova onda de estresse macro no curto prazo, mas não foi suficiente para mudar a leitura de que o mercado criptográfico ainda opera sob pressão.
Para uma recuperação mais consistente, os investidores devem monitorar não apenas os próximos dados de inflação e juros nos Estados Unidos, mas também sinais de melhoria nos fluxos de compra, normalização das taxas de financiamento e redução da demanda por proteção no mercado de opções. Até lá, tokens mais voláteis como ZEC e HYPE podem continuar reagindo com mais intensidade a qualquer sinal de cautela.
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Fonteportaldobitcoin



