Até 85% de todos os Bitcoin mantidos em carteiras associadas à Binance parecem expostos ao chamado risco quântico “em segurança”, segundo um novo levantamento da Glassnode. O estudo mostrou que boa parte das criptomoedas mantidas em exchanges globais está exposta de alguma forma, sendo que cerca de 30% de todo Bitcoin em circulação também tem algum risco quântico.
A Binance não é a única a aparecer com exposição elevada. Entre as maiores exchanges comprovadas, a Glassnode aponta que a Bitfinex tem 100% dos saldos rotulados como expostos dentro dessa metodologia, o mesmo que Cypto.com, Gemini e Coincheck, enquanto a Coinbase aparece na posição oposta, com apenas 5% dos saldos identificados em obrigações expostas.
A diferença, segundo o estudo, mostra que o risco não é distribuído de forma diversificada entre custodiantes e depende diretamente da forma como cada entidade administrativa carteiras, endereços e chaves. Estar exposto não significa que a exchange esteja sob risco imediato de ataque, nem funciona como um indicador de solvência ou segurança operacional, mas mostra que parte relevante dos saldos identificados pela empresa de análise on-chain está em estruturas nas quais as chaves públicas já são visíveis na blockchain.
A chamada exposição quântica demonstrada pelo Glassnode parte de uma pergunta simples: a chave pública necessária para gastar determinado Bitcoin já está visível na cadeia? Sob a criptografia atual, conhecer uma chave pública não permite derivar uma chave privada com computadores tradicionais. A preocupação é que, em um cenário futuro de computadores quânticos suficientemente avançados, essa barreira matemática pode ser quebrada, permitindo que uma chave privada seja prejudicada a partir de uma chave pública exposta.
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No caso das exchanges, a exposição é principalmente como “operacional”, ou seja, não ocorre necessariamente do desenho original do Bitcoin, mas de práticas como reutilização de endereços, gastos parciais e modelos de custódia que acabam revelando chaves públicas enquanto ainda há moedas associadas ao mesmo endereço ou estrutura. A Glassnode estima que 1,66 milhão de BTC ligados às exchanges estejam nesse grupo, o equivalente a 8,3% de toda a oferta de Bitcoin já emitida e cerca de 40% de todos os bitcoins identificados como operacionalmente expostos.
O número chama atenção porque a exposição relativa às trocas parece maior do que a de outras entidades. Segundo a Glassnode, aproximadamente metade dos bitcoins mantidos por exchanges rotuladas cai na categoria suscetível, contra menos de 30% da oferta fora dessas plataformas. Para a empresa, isso reforça que a preparação contra risco quântico não é apenas uma discussão sobre mudanças futuras no protocolo do Bitcoin, mas também sobre práticas atuais de custódia.
A Glassnode faz uma ressalva importante: os dados não devem ser lidos como uma classificação imediata de risco, uma avaliação da segurança de cada exchange ou um sinal sobre a saúde financeira de qualquer custodiante. O estudo mostra apenas a “pegada” observável na blockchain deixada por diferentes modelos de custódia. Em outras palavras, ele mede onde as chaves públicas já estão expostas hoje, não há probabilidade de um ataque quântico ocorrer.
Ainda assim, a exposição das exchanges é uma das partes mais relevantes do levantamento porque, ao contrário dos bitcoins antigos possivelmente perdidos ou inativos, os saldos mantidos por plataformas e custodiantes tendem a ser mais fáceis de migrar. A Glassnode afirma que esse tipo de risco pode ser limitado com medidas práticas, como evitar reutilização de endereços, rotacionar saídas de troco, melhorar a gestão de reservas e planejar a migração de carteiras para estruturas com menor exposição pública.
Além das exchanges, a Glassnode possui diferenças relevantes em outras entidades conhecidas. Fidelity e Cash App aparecem com exposição próxima de 2%, Grayscale com cerca de 50%, enquanto Robinhood e WisdomTree aparecem com 100% dos saldos rotulados como expostos dentro da metodologia. Já tesourarias soberanas, como Estados Unidos, Reino Unido e El Salvador, aparecem com 0% de exposição quântica operacional, segundo o estudo.
No agregado, a Glassnode estima que 6,04 milhões de BTC, ou 30,2% de toda a oferta emitida, expondo o risco quântico em segurança. O restante, 13,99 milhões de BTC, ou 69,8% da oferta, não apresenta exposição de chave pública enquanto permanece parado nos endereços atuais.
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Fonteportaldobitcoin



