O avanço de uma proposta para dar mais clareza regulatória ao mercado de criptomoedas nos Estados Unidos poderia, em outro momento, ser suficiente para sustentar uma nova rodada de alta do Bitcoin. Mas, desta vez, o impulso político positivo esbarrou em três riscos macroeconômicos que resultaram na conquista do humor dos investidores: volatilidade nos títulos do Tesouro americano, pressão sobre o iene japonês e alta do petróleo em meio à tensão envolvendo o Irã.
Na semana passada, o Comitê Bancário do Senado dos EUA aprovou o Digital Asset Market Clarity Act, conhecido como Lei Clarity, em uma votação bipartidária. A proposta busca criar regras mais claras para o setor de ativos digitais, incluindo a divisão de competências entre reguladores como a SEC e a CFTC, além de definir quando determinados criptoativos devem ser tratados como valores mobiliários ou commodities.
O texto ainda precisa avançar no Congresso, mas foi visto como um dos passos mais importantes até agora para a criação de um marco regulatório federal para criptografia nos EUA.
A ocorrência inicial do mercado foi positiva. A aprovação no acordo ajudou ações ligadas ao setor, como Coinbase, a subida, e deu fôlego temporário ao Bitcoin. Mas o movimento perdeu força rapidamente à medida que os investidores voltaram a olhar para o cenário macro, conforme destacado o CoinDesk. O BTC chegou a subir para US$ 82 mil após o avanço da Lei Clarity, mas hoje já opera abaixo de US$ 77 mil, pressionado por preocupações com juros, inflação e aversão ao risco.
1) Tesouros
O primeiro foco de preocupação vem do mercado de Treasuries, os títulos públicos dos Estados Unidos que servem como referência global para juros, garantias e precificação de risco.
O índice ICE BofA MOVE, que mede a volatilidade esperada nos títulos do Tesouro americano, saltou para 79,87 pontos na sexta-feira, depois de marcar 69,63 no dia anterior, segundos dados do Yahoo Finance. Esse tipo de movimento é relevante porque, quando um ativo considerado mais seguro do mundo passa a oscilar de forma brusca, os investidores tendem a reduzir posições em ativos mais arriscados, como ações de tecnologia e criptomoedas.
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A pressão também aparece na curva de juros. Em nota, a QCP Capital afirmou que os rendimentos dos Tesouros retornaram a atingir níveis máximos, com o juro de 10 anos em 4,62% e o de 30 anos em 5,14%. Juros mais altos chamaram o apelo relativo a ativos que não geram fluxo de caixa, como o Bitcoin, e aumentam o custo de capital em toda a economia.
2) Iene japonesa
O segundo risco vem do câmbio japonês. O dólar voltou a ser negociado na faixa de 158 a 159 ienes, aproximando-se do nível psicológico de 160 ienes por dólar. Esse patamar é observado de perto pelo mercado porque pode aumentar o risco de intervenção do Banco do Japão para conter a desvalorização da moeda.
O problema para ativos de risco é que o iene é uma das principais moedas usadas em operações de carry trade. Nesse tipo de estratégia, os investidores tomam recursos investidos em uma moeda de juros baixos, como o iene, para aplicar em ativos de maior retorno em outros mercados. Se o Banco do Japão intervir e se valorizar de forma rápida, essas operações podem ser desmontadas às pressas, retirando liquidez global e exercendo ações mais voláteis.
A QCP afirmou que posições relacionadas em iene poderiam começar a ser desfeitas de forma brusca caso o câmbio se aproximasse ainda mais da faixa de intervenção.
3) Petróleo
O terceiro ponto de pressão vem do petróleo. A escalada das tensões envolvendo o Irã e o Estreito de Ormuz levou os preços do Brent e do WTI para acima de US$ 100 por barril, reacendendo os temores de inflação global. O Brent chegou a US$ 112, enquanto o WTI subiu para US$ 107, em meio a preocupações com a oferta de petróleo e com a interrupção de fluxos por uma das rotas energéticas mais importantes do mundo.
A situação ficou mais sensível após Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, alertar que os estoques comerciais de petróleo estão sendo consumidos rapidamente por causa da guerra envolvida no Irã e do fechamento do Estreito de Ormuz. Segundo ele, os estoques comerciais restantes poderiam durar apenas algumas semanas, embora as reservas estratégicas ajudassem a complementar a oferta global.
Para o Bitcoin, a combinação desses fatores cria um ambiente difícil. De um lado, o avanço da Lei Clareza reforça a tese de amadurecimento institucional do setor criptográfico nos Estados Unidos, ao oferecer um caminho mais claro para empresas, investidores e reguladores. Por outro lado, a alta dos juros, a instabilidade no câmbio japonês e o choque no petróleo apontam para aperto das condições financeiras, inflação mais persistente e menor disposição para risco.
Esse contraste ajuda a explicar porque o otimismo regulatório não foi suficiente para sustentar a alta. O mercado criptográfico costuma reagir positivamente a notícias de adoção institucional e jurídica clara, mas continua sensível ao ambiente global de liquidez. Quando os títulos americanos ficam mais voláteis, o dólar se movimenta com força contra o iene e o petróleo ameaça reacender a inflação, os investidores tendem a priorizar a preservação de capital.
A leitura de curto prazo, portanto, é que a regulação pode melhorar a estrutura de longo prazo do mercado criptográfico, mas não eliminar a dependência do Bitcoin em relação ao ciclo macroeconômico.
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Fonteportaldobitcoin



