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O Bitcoin (BTC) subiu para US$ 70.000 na segunda-feira enquanto a sombra da guerra paira sobre todo o Oriente Médio. Dados da CryptoQuant mostram que as transferências com prejuízo de detentores de curto prazo para exchanges caíram para o mínimo de duas semanas nas últimas 24 horas, e a desaceleração desses fluxos contrasta com o ritmo de vendas apresentado no início de fevereiro.

Detentores de curto prazo recuperados nas vendas

A métrica de lucro/prejuízo (P&L) dos detentores de curto prazo (STH) para exchanges acompanha quanto os compradores de Bitcoin recentes enviam para exchanges com lucro ou prejuízo. Esses participantes tendem a ampliar a volatilidade em momentos de estresse.

Lucro/prejuízo dos detentores de curto prazo para exchanges. Fonte: CryptoQuant

Em 1º de março, as perdas ocorridas caíram para 3.700 BTC mesmo com a escalada das escaladas geopolíticas entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio. O Bitcoin caiu para US$ 63.000 nesse período, mas as entradas nas exchanges desse grupo não aumentaram em resposta.

Para comparação, em 5 e 6 de fevereiro, os detentores de curto prazo enviaram 89.000 BTC para exchanges com prejuízo realizado em 24 horas. Isso marcou um pico de capitulação. Desde então, os fluxos motivados por perdas vêm ocorrendo gradualmente.

O analista cripto MorenoDV relatou que os detentores mais sensíveis a eventos não aceleraram a distribuição e manifestação “pânico zero”. A queda nas transferências com prejuízo indica que a pressão do vendedor dos compradores recentes será significativa.

Um rali mais forte pode depender das perdas sofridas, permanecerem controlados ou voltarem a acelerar para níveis semelhantes aos da capitulação anterior durante este período de incerteza geopolítica.

Desalavancagem nos futuros de BTC encontra liquidez externa

Dados de derivativos do BTC indicam uma redução significativa de risco. O analista de criptografia Darkfost destacou que a posição em aberto na Binance caiu para 97.680 BTC, ante 130.800 BTC no início do ano, uma contração de 25%.

A taxa estimada de alavancagem, que compara os contratos em aberto com as reservas de BTC nas exchanges, caiu para uma média semanal de 0,146. Níveis abaixo de 0,15 historicamente coincidiram com fases agressivas de desalavancagem neste ciclo.

Do lado técnico, o Bitcoin tenta retomar seu RVWAP mensal (preço médio ponderado por volume), atualmente na região alta dos US$ 68.000. O RVWAP mensal é um preço médio ponderado por volume ancorado no início do mês. Quando o BTC negocia acima desse nível, o participante médio do mês volta ao lucro, o que frequentemente altera a visão de posicionamento de curto prazo dos traders.

Gráfico de quatro horas do Bitcoin. Fonte: Cointelegraph/TradingView

O gráfico de quatro horas mostra o preço ultrapassando US$ 70.000 e se aproximando da primeira zona de liquidez externa entre US$ 70.000 e US$ 71.500. Transformar essa faixa em suporte pode desencadear uma expansão do preço até a região dos US$ 80.000, onde a oferta anterior limitada a alta em janeiro. O trader cripto LP afirmou:

“Em prazos maiores, clusters de liquidação com baixa alavancagem estão se acumulando perto e logo acima das máximas da faixa, entre 70 mil e 73 mil.

Níveis de liquidez externa do Bitcoin. Fonte: X

Os dados de fluxo no mercado spot do BTC adicionam mais contexto. A Binance registrou cerca de US$ 7,79 milhões em delta positivo durante o rompimento, a Coinbase adicionou aproximadamente US$ 1,16 milhão e a OKX contribuiu com quase US$ 3,7 milhões.

O delta positivo em diferentes plataformas sinaliza compras agressivas no mercado spot, em vez de um movimento isolado impulsionado por derivativos. Com o uso de alavancagem reduzida e as vendas motivadas por perdas em queda, a atenção do mercado voltará para como o preço reagirá na faixa de liquidez em US$ 71.500.

Fluxos de dados spot do Bitcoin nas exchanges. Fonte: exitpump/X