A ação da Strategy (MSTR) passou a negociar próxima ao valor de mercado do Bitcoin que mantém em caixa, segundo análises recentes de mNAV, um indicador que compara o market cap da empresa com suas reservas em BTC. No pregão mais recente, o mNAV oscilou em torno de 1,05, nível raro para uma companhia que historicamente operou com prêmios elevados sobre o Bitcoin. O movimento ocorre em um momento de maior seletividade institucional e consolidada do mercado criptográfico após a forte alta de 2024.
Na prática, isso significa que o mercado avalia a Estratégia quase como um “espelho” do Bitcoin, sem pagar um prêmio relevante pela alavancagem financeira e pela estratégia agressiva de acumulação da empresa. Para investidores brasileiros, o dado é relevante porque altera a lógica de usar MSTR como proxy de BTC via bolsa internacional.
O pano de fundo inclui atualizações de múltiplos em empresas de tesouraria de criptografia e avanço dos ETFs de Bitcoin, que oferecem exposição direta ao ativo com custos e riscos mais previsíveis.
O que é mNAV e por que esse nível chama atenção?
O mNAV (múltiplo do Valor Patrimonial Líquido) mede quanto o valor de mercado de uma empresa supera — ou não — o valor de seus ativos líquidos, neste caso, o Bitcoin em caixa. Um mNAV de 1,05 indica que o valor de mercado está apenas 5% acima do valor dos BTCs detidos, um patamar incomum para a estratégia.
Segundo dados recentes, a empresa já chegou a negociar com mNAV abaixo de 1,0, configurando desconto sobre o valor do Bitcoin em balanço, algo que não acontecia desde 2020. De acordo com CryptoSlate, a combinação vem conjunta de forma contínua desde fevereiro de 2024.
Historicamente, os investidores aceitavam pagar prêmios elevados pela expectativa de valorização acelerada do BTC e pela capacidade da empresa de captar recursos para novas compras. Em 2025, porém, essa narrativa perdeu força diante de alternativas mais eficientes.
Compressão de prêmio muda o jogo para investidores?
A Estratégia anunciou mais de US$ 21 bilhões em 2025 via emissão de ações e instrumentos estruturados, sustentando sua tese de acumulação contínua de Bitcoin. Ainda assim, o mercado passou a questionar se esse modelo justifica um prêmio elevado, especialmente com ETFs spot ganhando liquidez.
Em alguns momentos, o valor de mercado da companhia chegou a US$ 94 bilhões, mais de US$ 78 bilhões em Bitcoin, um prêmio implícito de US$ 16 bilhões. Segundo MEXC News, essa diferença vem diminuindo à medida que o BTC passa a ter melhor desempenho que a ação.
Para o investidor brasileiro, isso reduz o apelo do MSTR como instrumento indireto de exposição ao Bitcoin, especialmente quando comparado à compra direta do ativo ou a ETFs internacionais.
Riscos, contrapesos e o que observar daqui para frente
O principal argumento contrário é que a Estratégia ainda oferece alavancagem: se o Bitcoin disparar, a ação pode reagir de forma amplificada. No entanto, esta tese depende de novo apetite institucional e de condições adequadas de crédito.
O ceticismo atual já se reflete em Wall Street. A Cantor Fitzgerald, por exemplo, prejudica o preço-alvo da ação de US$ 560 para US$ 229, citando a variação do mNAV, conforme reportado pelo Financial Times.
Adiante, os investidores devem monitorar o preço do Bitcoin, novos movimentos de coleta da empresa e o fluxo para ETFs. Se o mNAV permanecer próximo de 1, a Estratégia deixa de ser uma aposta de prêmio e passa a ser, essencialmente, um reflexo do próprio BTC.
Fontecriptofacil



