Bitcoin e nosso seguiram trajetórias opostas diante da escalada de tensões comerciais entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a União Europeia.
Enquanto o metal precioso atingia novos registros em meio ao aumento das incertezas geopolíticas, a principal criptomoeda descobertau, repetindo padrões observados em outubro.
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Tensões comerciais entre EUA e União Europeia aumentam
No último sábado, 17, Trump anunciou uma tarifa de 10% sobre Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia, com validade a partir de 1º de fevereiro. As tarifas subirão para 25% em 1º de junho e continuarão vigentes até que os Estados Unidos fechem um acordo de compra da Groenlândia.
No domingo, 18, representantes dos oito países afetados pelas novas tarifas dos EUA realizaram uma reunião de emergência. Num comunicado conjunto, o presidente Costa e a presidente von der Leyen afirmaram que a UE “expressa total solidariedade” com a Dinamarca e o povo da Groenlândia, sinalizando uma resposta política unificada diante da medida de Washington.
Além disso, o Financial Times informou que a União Europeia está disponível um pacote de contramedidas mais amplo, que pode incluir tarifas de até € 93 bilhões (US$ 107,71 bilhões) ou restringir o acesso de empresas dos EUA ao mercado do bloco.
Mercado reage
Os mercados responderam rapidamente às notícias das tarifas, mas de formas opostas. O nosso disparou para US$ 4.690/oz nas primeiras horas do pregão asiático desta segunda-feira, estabelecendo um novo recorde histórico (ATH).
A prata também atingiu novo patamar, superando US$ 94/oz. Em contraste, as bolsas abriram em baixa.
O Bitcoin acompanhou outros ativos de risco e também teve queda. Dados do BeInCrypto Markets mostraram que o BTC caiu abaixo do nível de US$ 95 mil.
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No momento desta reportagem, o ativo era negociado a US$ 92.574, recuo de 2,67% nas últimas 24 horas. A capitalização total do mercado cripto caiu aproximadamente US$ 98 bilhões no mesmo intervalo.
A queda nos preços provocou uma onda de liquidações no mercado de criptomoedas. Nas últimas 24 horas, as liquidações totalizaram US$ 864,35 milhões, sendo posições compradas responsáveis por mais de US$ 780 milhões desse valor.
“O Bitcoin recua quase US$ 4 mil após US$ 500 milhões em longos alavancados sendo liquidados em 60 minutos”, escreveu The Kobeissi Letter em seu perfil no X.
A diferença no comportamento do ouro e do Bitcoin diante da turbulência decorrente das tarifas revela traços distintos de como os mercados veem esses ativos. O papel tradicional do ouro como reserva de valor em períodos de tensão econômica e geopolítica permanece amplamente aceito.
O Bitcoin, frequentemente chamado de “ouro digital”, segue negociando como ativo de risco diante de incertezas, com o preço mais atrelado ao sentimento do mercado do que à demanda imediata por segurança.
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O que esperar do Bitcoin em janeiro?
O analista Timothy Peterson relatou que a ocorrência do Bitcoin ao anúncio de Trump foi tardia. Ele observou que, mesmo operando 24 horas por dia, o BTC não reagiu durante cerca de 36 horas, apenas passando a cair com o início das negociações institucionais na Ásia.
“Isso mostra como a maioria das ‘notícias’ intradiárias sobre movimentação de preços geralmente é uma narrativa irrelevante contada depois dos fatos. Além disso, os investidores de varejo foram alavancados, mesmo diante de um dia inteiro de alerta de que isso ocorreria (Esta é a terceira declaração de tarifa de Trump, o Bitcoin caiu em todos.) Sem palavras”, acrescentou ele na publicação no X.
Além disso, a Crypto Rover alertou que esta semana “pode abalar todo o mercado”, citando a convergência de decisões de grande impacto político que podem gerar volatilidade em ações e criptomoedas.
“Tarifas da UE ameaçam fluxos comerciais avaliados em quase US$ 1,5 trilhão”, afirmou em publicação no X. “Se a UE começar a negociar com países que também são alvo de avaliações americanas, os Estados Unidos corrim o risco de serem excluídos de rotas comerciais estratégicas. Isso seria: negativo para o sentimento global de risco, negativo para as ações americanas, negativo para o dólar.”
Rover destacou ainda que a decisão proposta a ser anunciada pela Suprema Corte dos EUA acrescenta mais uma camada de incerteza, já que tanto uma decisão favorável quanto às tarifas podem mexer com os mercados. Ele afirmou que os dois cenários devem iniciar ações e criptos.
Nesse cenário, os analistas divergem quanto ao desempenho futuro do Bitcoin. Mike McGlone, estrategista sênior de commodities da Bloomberg Intelligence, projetou que a relação Bitcoin-ouro deve continuar caindo até 10x, o que indica desempenho melhor do ouro, em vez de subir para 30x favorecendo o BTC.
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“Todos esperam que o Bitcoin siga o caminho do ouro e atinja novas máximas. Mas o mercado deu tempo demais para os especuladores comprarem. O cenário mais provável é que o fracasso do Bitcoin em compensar os ganhos do ouro enfraqueça sua narrativa de ouro digital, provocando uma queda expressiva”, afirmou o economista Peter Schiff em uma postagem no X.
O experiente trader Peter Brandt destacou que os ativos cotados em US$ podem ter desempenho inferior ao de commodities físicas. Ele também apresentou dúvidas sobre a participação do Bitcoin nesse contexto e apontou que as altcoins deverão apresentar perda expressiva de valor.
“O ouro voltará a ser a reserva de valor mais confiável do mundo. Ativos atrelados ao US$ vão perder valor para commodities físicas – o que, aliás, pode ou não incluir o Bitcoin. As altcoins se tornarão ainda mais desvalorizadas que o US$”, comentou o trader.
Ainda assim, há otimismo em alguns setores. Parte dos analistas segue esperando que o Bitcoin recupere terreno em relação ao ouro.
“O ouro ganhou cerca de 10 trilhões de US$ em valor de mercado no último ano. Não me surpreenderia se parte desse lucro fosse realocado ou diversificado para o Bitcoin”, afirmou um analista de mercado em publicação no X.
Com as propostas comerciais aumentando e a disposição ao risco, o mercado logo mostrará se o Bitcoin será capaz de acompanhar o ouro ou se o metal segue como principal referência de proteção.
Fontebeincrypto



