Bitcoin pode repetir alta de 157% após fim do shutdown nos EUA?

O presidente norte-americano Donald Trump nomeou Kevin Warsh como seu indicado para a presidência do Federal Reserve dos Estados Unidos, programando uma mudança de liderança no banco central mais poderoso do mundo para maio de 2026.

A indicação ocorre em um momento delicado. A inflação permanece resistente, os mercados demonstram instabilidade e a criptografia já sente a pressão da incerteza macroeconômica. A escolha do presidente do Fed agora tem mais peso do que em qualquer outro momento desde a pandemia.

Quem é Kevin Warsh, em que ele se diferencia de Jerome Powell e que sua nomeação pode significar para as taxas de juros — e para os mercados de criptografia no segundo semestre de 2026?

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Quem é Kevin Warsh?

Kevin Warsh não é um desconhecido do Federal Reserve. Sua nomeação depende da confirmação pelo Senado. Mas o mercado já reage ao sinal de política monetária transmitido pela escolha.

Warsh atuou como diretor do Fed de 2006 a 2011, tornando-se o membro mais jovem da história da instituição.

Ele trabalhou próximo ao então presidente Ben Bernanke durante a crise financeira global e representou o Fed nas reuniões do G20.

Em 2007, Kevin Warsh participou da primeira reunião do Fed gravada por câmeras

Após deixar o Fed, Warsh ingressou na academia e na discussão de políticas públicas. Atualmente, ocupa o cargo de pesquisador sênior na Hoover Institution de Stanford e costuma apresentar críticas às práticas recentes do banco central.

Warsh: conhecido por rigor contra a inflação

Em retrospecto, Warsh é identificado como um “falcão da inflação”.

Durante a crise de 2008 e 2009, ele alertou repetidas vezes que medidas prejudiciais de estímulo poderiam alimentar a inflação futura. Warsh se opôs à flexibilização quantitativa prolongada e defendeu a redução do balanço patrimonial do Fed, mesmo com inflação baixa.

Essa postura o coloca em desacordo com a estratégia adotada pelo Fed a partir de 2020.

Personalidade de falcão da inflação explicada. Fonte: Investopédia

No entanto, a posição de Warsh evoluiu. Nos últimos anos, ele defendeu que desregulamentação e rigor fiscal podem reduzir a inflação de forma natural — permitindo ao Fed cortar juros sem comprometer a estabilidade dos preços.

Essa mudança é significativa no ciclo atual.

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Como Warsh difere de Jerome Powell?

O contraste com Jerome Powell é evidente.

Powell apostou no estímulo emergencial durante a pandemia de COVID e inicialmente minimizou os riscos inflacionários em 2021. Esse atraso obrigou o Fed a adotar o ciclo de empréstimos mais rígido em décadas.

Warsh classificou publicamente esse período como um fracasso político, argumentando que o Fed perdeu a resposta ao agir de forma tardia.

Ele também condenou a ampliação do mandato do Fed. Warsh é contrário à participação do banco central em políticas climáticas, questões sociais e sinalizações políticas. Powell, por outro lado, mostrou-se mais receptivo a essas pautas.

Resumidamente, Warsh defende um Fed com atuação mais restrita e tradicional — direcionamento principalmente para inflação, emprego e estabilidade financeira.

O que isso significa para as taxas de juros em 2026?

A última decisão do Fed manteve as taxas inalteradas em 3,50% –3,75%, suspendendo cautela após vários cortes em 2025.

O mercado espera o próximo corte de juros apenas a partir de meados de 2026.

A possível chegada de Warsh traz incertezas a esse cenário.

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Por um lado, a confiança de Warsh como falcão da inflação indica rigor. É pouco provável que sejam feitos cortes rápidos sem provas concretas de que a inflação esteja controlada.

Por outro lado, Warsh já manifestou concordância com a visão de Trump de que excesso de regulação e expansão fiscal elevam a inflação. Caso esses fatores diminuam, ele pode apoiar uma normalização mais acelerada.

Isso abre espaço para cortes adicionais de juros no segundo semestre de 2026 — mas sob critérios mais restritos.

Warsh e cripto: não é contra, mas também não é entusiasta

A relação de Warsh com a criptografia é complexa.

Ele já investiu pessoalmente em empresas ligadas à criptografia, como no projeto de stablecoin algorítmica Basis e na gestora de criptoativos Bitwise. Isso já o distingue de vários formuladores de políticas tradicionais.

Em 2021, Kevin Warsh participou de uma rodada de financiamento de US$ 70 milhões para a Bitwise

Ao mesmo tempo, Warsh é cético em relação ao uso de criptografia como dinheiro.

Ele argumenta que a volatilidade do Bitcoin se torna inadequada como meio de troca. No entanto, confirma que o Bitcoin pode atuar como reserva de valor, semelhante ao ouro.

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Sua opinião mais expressiva é contra moedas privadas sem regulamentação. Warsh tem defendido regulamentações mais claras para stablecoins e apoia um CBDC atacadista dos EUA restrito ao uso entre bancos, excluindo consumidores finais.

Assim, ele se aproxima de uma posição por mais claramente regulatória do que de hostilidade ao setor.

Warsh pode ser positivo para o setor de criptografia?

No curto prazo, provavelmente não.

Os mercados de criptografia continuam sendo influenciados por liquidez, juros e riscos macroeconômicos. Warsh só assumirá em maio que a política de taxas seguirá condicionada aos indicadores.

No médio e longo prazo, porém, a perspectiva muda.

A ênfase de Warsh na revisão, esclarecer as regras e em um Fed mais contido pode reduzir incertezas regulatórias — ponto crítico para criptografia nos últimos anos.

Se a inflação continuar desacelerando e Warsh apoiar cortes de impostos em 2026, ativos de risco tenderão a se beneficiar. O mercado de criptografia, ainda bastante sensível aos juros reais e às expectativas de liquidez, provavelmente responderia de forma positiva.

Importante destacar que Warsh não é ideologicamente contra criptografia. Ele considera o blockchain uma tecnologia útil e prefere regulação ao invés de restrição.

Esse posicionamento, por si só, pode melhorar o sentimento do setor.

Warsh dificilmente provocará uma valorização imediata. Contudo, se sua gestão trouxe orientações mais claras, inflação controlada e um caminho consistente para cortes de juros, o segundo semestre de 2026 pode se tornar expressivamente mais favorável.



Fontebeincrypto

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