O mercado global viu uma reversão abrupta nesta semana, com metais preciosos despencando enquanto o mercado criptográfico ocorre relativamente estável. O ouro caiu 8% e a prata despencou 27% em um único dia, a pior queda diária já registrada, enquanto o Bitcoin recuperou apenas 0,54% e manteve-se acima de US$80.000. O movimento testa a narrativa de altcoins como hedge alternativo em um ambiente de rotações de capital e ajuste de risco.
Em reais, o BTC/BRL fechou em US$404.594 no dia 02/02, abaixo dos US$415.500 do dia anterior, refletindo pressão vendedora pontual em exchanges brasileiras como o Mercado Bitcoin. Ainda assim, o desempenho relativo do Bitcoin contrasta com o colapso dos metais e reforça o domínio do ativo no início de 2026.
O pano de fundo macro segue marcado por cautela global, com investidores em posições superlotadas e reavaliando proteção de portfólio em meio a volatilidade elevada e expectativas mais conservadoras para juros.
O que explica o colapso dos metais e a resiliência do Bitcoin?
Do ponto de vista técnico, o ouro entrou em janeiro com forte sobrecompra, chegando a um RSI acima de 90 após fluxo intenso para ativos de proteção. Quando o preço passou a andar de lado, o RSI retornou rapidamente para a região de 50, sinalizando perda de ímpeto e abertura para realizações prejudiciais.
Essa liquidação foi amplificada por posições unidirecionais e alavancadas, gerando FUD e acelerando a queda da prata. O Bitcoin, por outro lado, mostrou menor sensibilidade: o RSI diário ocorreu próximo de 48, enquanto o MACD segue negativo, porém sem nova atualização vendedora.
O resultado foi um candle diário de dominância do BTC em alta de 0,70%, o mais forte em dois meses, indicando que o capital não migrou para altcoins, mas se concentrou no ativo mais líquido do setor.
Altcoins ficam para trás em um cenário de recalibração de risco
Historicamente, as correções no Bitcoin abriram espaço para rotação tática em altcoins, buscando maior retorno de curto prazo. Desta vez, o Índice de Altcoin Season permanece em torno de 40, nível que sinaliza hesitação e ausência de apetite por risco.
Após um aumento de quase US$ 1 trilhão em valor de mercado criptográfico nos últimos meses, os investidores parecem tratar a queda dos metais como um reset técnico, não como convite para aumentar a exposição em ativos mais voláteis. Esse comportamento reforça a leitura de que a temporada de altcoin exige paciência.
No on-chain, os dados mostram sinais iniciais de capitulação de detentores de BTC no prejuízo, enquanto o fornecimento em exchanges teve alta semanal, pressão o curto prazo. Mesmo assim, não há fluxo claro migrando para tokens menores.
Como isso afeta investidores brasileiros em criptomoedas?
Para o investidor brasileiro, a ausência de rotação para altcoins significa menos oportunidades de alfa no curto prazo e maior foco na gestão de risco. A volatilidade do BTC/BRL, que saiu de R$ 444 mil para R$ 404 mil em poucos dias, exige atenção redobrada a suportes em US$ 75.000 e resistência imediata em US$ 82.000.
Do lado institucional, os ETFs de Bitcoin registraram saídas líquidas de US$ 278 milhões em janeiro de 2026, após entradas robustas de US$ 3,48 bilhões em novembro de 2025, quebrando a demanda. Empresas alavancadas em BTC, como a MicroStrategy, viram suas ações caírem 9% no pré-mercado, com custo médio acima de US$ 75.200.
Enquanto isso, a correção dos metais reabre o debate sobre hedge de portfólio, tema já discutido na análise sobre bolha no ouro e na divergência entre ouro e criptografia.
O cenário base segue de consolidação: se o Bitcoin perder US$75.000 com volume, o risco de nova perna de baixa aumenta e tende a arrastar altcoins. Por outro lado, uma retomada acima de US$ 82.000 pode restaurar a confiança, mas ainda não garante rotações amplas. Por agora, o mercado sinaliza cautela, não busca perigosa por risco.
Fontecriptofacil



