A Ledger lançou um novo recurso que permite gerar rendimento em Bitcoin diretamente em carteiras de autocustódia, em parceria com Lombard Finance e Figment. O anúncio ocorre em um momento em que o Bitcoin negocia em torno de US$ 93.500, com alta de 1,8% nas últimas 24h e volume diário próximo de US$ 28 bilhões. O movimento se insere na tendência mais ampla de expansão do DeFi baseado em BTC, que busca transformar o ativo de reserva em capital produtivo.
O que muda com o rendimento em Bitcoin na Ledger?
Na prática, os usuários do Ledger podem agora obter rendimento em BTC sem recorrer a corretoras centralizadas, utilizando o Protocolo Babylon Stake via Lombard. O rendimento inicial gira em torno de 0,4% ao ano (APY), com suporte mínimo de 0,0002 BTC e prazo de resgate de sete dias, segundo The Block.
A Lombard opera o token LBTC, um Bitcoin com rendimento que já supera US$ 2 bilhões em oferta circulante e está integrado a mais de 70 protocolos DeFi. Atualmente, o ecossistema da Lombard soma US$ 1,7 bilhão em valor total bloqueado (TVL) e atrai mais de US$ 2 bilhões em nova liquidez on-chain, de acordo com a Blockworks.
Para o investidor brasileiro, o principal impacto é a redução do risco de custódia. A Ledger afirma proteger cerca de 22% de todo o fornecimento global de Bitcoin, o que reforça a relevância do movimento dentro da tendência de DeFi institucional com Bitcoin.
Ledger define novo padrão para DeFi institucional em BTC
A integração com a Figment, especializada em staking institucional, amplia a opção do produto para grandes investidores. Binance e Bybit já adotaram o SDK de staking em BTC da Lombard, sinalizando que a competição por rendimento em Bitcoin está se intensificando, conforme relatado pelo CoinDesk.
Do ponto de vista do mercado, uma narrativa de rendimento tende a reduzir a pressão do vendedor de longo prazo. Dados on-chain mostram leve queda no fornecimento de BTC em exchanges nas últimas semanas, enquanto carteiras com mais de 1.000 BTC seguem acumulando, um sinal historicamente associado às declarações acima de suportes-chave, atualmente em US$ 90.000.
Esse movimento dialoga com a crescente disputa por rendimento criptográfico, onde os investidores buscam retorno adicional sem abrir mão da exposição ao ativo principal.
Quais são os riscos para os investidores?
Apesar do avanço, o rendimento de 0,4% APY é modesto e não compensa riscos operacionais ou falhas de contratos inteligentes em cenários extremos. Além disso, o resgate em sete dias limita a liquidez imediata, um ponto crítico para traders que operam com maior volatilidade.
Também é importante diferenciar o marketing de adoção real. Embora o LBTC esteja presente em múltiplas redes como Ethereum, Solana e Base, a profundidade de liquidez ainda é inferior às soluções centralizadas, o que pode gerar derrapagens em momentos de estresse de mercado.
No balanço final, a iniciativa da Ledger reforça a tese de que o Bitcoin caminha para um papel mais ativo no DeFi global. Para investidores brasileiros, o recurso amplia opções de geração de renda em BTC, mas exige avaliação cuidadosa de risco, especialmente em um mercado que segue volátil e altamente dependente de infraestrutura técnica.
Fontecriptofacil



