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Resumo da notícia:

  • O Bitcoin e a infraestrutura de Finanças Descentralizadas (DeFi) surgem como aceleradores estratégicos para a aposentadoria no Brasil, com potencial de rentabilidade superior ao sistema tradicional.

  • As operações de DeFi permitem gerar renda passiva em dólar com taxas operacionais significativamente menores que as dos bancos convencionais.

  • A diversificação com criptomoedas minimiza o “Risco Brasil”, protegendo o patrimônio contra a política de instabilidade e a desvalorização do Real.

Em um país caracterizado pela instabilidade econômica e pela desvalorização recorrente da moeda ao longo do tempo, criptoativos como Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH) e Solana (SOL) têm potencial para se tornarem investimentos estratégicos no planejamento financeiro para aposentadoria.

Segundo Felipe Mendes, CEO da Altside, empresa de consultoria focada em soberania financeira, os ativos digitais atuam não apenas como reserva de valor em um plano de aposentadoria, mas têm potencial para oferecer maior rentabilidade e proteção patrimonial no longo prazo em comparação com a previdência privada ou os fundos de pensão tradicionais.

Em entrevista ao Cointelégrafo BrasilMendes detalhou a tese de Altside para a construção de patrimônio a longo prazo. O Bitcoin, com sua escassez programática, atua como elemento central, enquanto as altcoins de grande capitalização oferecem diversificação e maior potencial de crescimento acelerado:

“Nossa tese precifica a assimetria atual do Bitcoin acreditando que, no longo prazo, ele deixará de ser um ativo de risco para se consolidar como uma reserva de valor global. Já as demais altcoins são tratadas sob a ótica de Venture Capital: enxergamos esses projetos como startups e seus tokens como equity de empresas em estágio inicial.”

Mendes explica que o Bitcoin desempenha um papel duplo de acelerador de rentabilidade e proteção contra a perda do poder de compra. Com uma CAGR (taxa de crescimento anual composta) média de aproximadamente 20%, o efeito dos juros potencializa o acúmulo de capital ao longo de uma década, superando significativamente os fundos e índices atrelados ao real.

O executivo menciona estudos que mostram que alocações mínimas, entre 1% e 10% em Bitcoin, podem aumentar o retorno de uma carteira em até 300% sem aumentar demasiadamente o risco associado.

Operações em DeFi atuam como multiplicadores de capital

Como complemento, a Altside recomenda a implementação de estratégias básicas em DeFi (finanças descentralizadas) para gerar renda passiva:

“Nosso foco é utilizar uma infraestrutura de finanças descentralizadas usando como base o Bitcoin, Ethereum e Solana, para construir operações estruturadas de geração de renda. Isso inclui estratégias de delta neutro, pools de créditos integrados a empréstimos e exposição a ativos geradores de juros reais (yield bear), além disso, sempre focamos na proteção do capital em Bitcoin por mecanismos avançados de derivativos e ‘Tail Hedge’ para cisnes negros.”

Mendes destaca que o custo operacional e as taxas cobradas em DeFi são muito inferiores às praticadas no mercado tradicional, enquanto os juros pagos aos investidores são superiores e atrelados ao dólar:

“O uso de protocolos que oferecem rendimentos prefixados sobre stablecoins, como o Pendle, ou as mesmas estratégias mais arrojadas de rentabilização, como o da Ethena, entregam, em média, rentabilidades em dólar duas vezes superiores às de título do Tesouro americano, que é uma das principais escolhas dos investidores pelo mundo.”

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Sob uma perspectiva de longo prazo, com foco na aposentadoria, o efeito dos juros se torna um diferencial, acrescenta o executivo:

“Essas diferenças de taxas e rentabilidades, mesmo que podem parecer pequenas num primeiro momento, quando projetamos ao longo de 10 anos, por exemplo, desempenham um papel muito importante no encurtamento do tempo necessário para a retirada.”

Outro fator determinante para a adoção de criptoativos no planejamento financeiro para a aposentadoria é a mitigação do chamado “Risco Brasil”. Mendes revela que o interesse por ativos descorrelacionados tem crescido entre profissionais cuja renda principal depende da economia local:

“É um perfil cuja principal fonte de renda vem justamente de atividades no Brasil que são impactadas direta ou indiretamente pela instabilidade política no país, além da econômica. Logo, ter exposição financeira em ativos descorrelacionados com o mercado brasileiro, sejam investimentos no exterior, criptoativos e commodities como metais, cada vez mais foram a escolha desse público para diversificar o risco.”

Queda no padrão de vida pós-aposentadoria decorre da falta de planejamento financeiro dos brasileiros

O baixo nível de educação financeira da população brasileira tem efeitos diretos sobre o planejamento da aposentadoria, especialmente porque o custo de vida tende a aumentar ao longo do tempo.

Mendes afirma que muitas pessoas que gostariam de se aposentar entre os 50 e 60 anos perceberam tardiamente que o patrimônio acumulado ao longo de anos de trabalho não garante a renda necessária para manter o padrão de vida que levavam antes de parar de trabalhar.

Apesar do potencial de valorização patrimonial dos criptoativos, o executivo alerta que a exposição única ao setor não é estimada sem que antes se trace um perfil detalhado do investidor:

“Um ponto muito importante é que, mesmo considerando os criptoativos como a melhor opção de investimento, o investidor não deve ter, necessariamente, apenas Bitcoin em seu portfólio, ou mesmo a maior parte dele atrelado ao ativo. É necessário fazer uma análise profunda das necessidades dessa família ou indivíduo, partindo de um planejamento financeiro bem estruturado.”

Embora as criptomoedas já sejam obrigatórias como inovadores de portfólio em mercados consolidados como os Estados Unidos e a Ásia, no Brasil o setor ainda enfrenta resistência dos bancos de investimento tradicionais, conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil.

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Fontecointelegraph

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