O estrategista Christopher Wood, chefe global de estratégia de ações do banco de investimentos Jefferies, decidiu zerar a exposição do Bitcoin no modelo de portfólio “GREED & Fear”, citando os riscos crescentes associados ao avanço da computação quântica.
A alocação de 10% que até então era destinada à criptomoeda foi redistribuída igualmente entre ouro físico e ações de mineradoras de ouro, movimento que, segundo Wood, reflete uma reavaliação estrutural do papel do Bitcoin como reserva de valor em horizontes de longo prazo.
Em nota divulgada nesta semana, Wood afirmou que, embora não veja a computação quântica como um fator capaz de impactar dramaticamente o preço do Bitcoin no curto prazo, o debate teórico em torno do tema já é suficiente para enfraquecer sua tese dentro de um portfólio previdenciário, segundo noticiou o site The Block.
Leia também: “Computação quântica não vai destruir o Bitcoin. Vai fortalecê-lo”, diz Michael Saylor
Para ele, a possibilidade de que avanços tecnológicos venham a comprometer os fundamentos criptográficos do Bitcoin representa uma ameaça “existencial” à ideia de escassez digital imutável, que sustentou sua inclusão inicial no modelo.
Wood foi um dos primeiros estrategistas institucionais a incorporar o Bitcoin em um portfólio diversificado, durante o ciclo de estímulos da era da pandemia, quando o ativo passou a ser tratado como uma alternativa digital ao ouro.
Na época, o argumento central girava em torno do fornecimento fixo do Bitcoin, com emissão programada até o ano de 2140, além da expectativa de que a infraestrutura de custódia institucional se tornasse ativa e viável para grandes investidores. Essa lógica, no entanto, passou a ser questionada diante de novos estudos sobre segurança de longo prazo.
Entre as referências mencionadas por Wood está um trabalho publicado em maio de 2025 por pesquisadores do Chaincode Labs, que estima que entre 4 milhões e 10 milhões de bitcoins — algo entre 20% e 50% do fornecido em circulação — conseguiu, em tese, ser vulnerável à extração de chaves privadas por computadores quânticos. O estudo aponta que carteiras de câmbio e instituições estariam entre as mais expostas, especialmente em casos de reutilização de endereços, prática comum nos primeiros anos da rede.
Uma ameaça quântica
A decisão do estrategista ocorre em meio a uma intensificação do debate sobre os prazos e impactos da chamada “ameaça quântica” sobre sistemas criptográficos.
O tema ganhou atração após a Microsoft apresentar, em fevereiro de 2025, o chip quântico Majorana 1, visto por parte da indústria como um avanço relevante rumor ao chamado “Dia Q”, quando os padrões atuais de criptografia poderiam se tornar viáveis.
Embora os especialistas ainda discordem sobre quando, ou se, esse ponto será alcançado, o simples encurtamento das projeções já vem influenciando decisões estratégicas.
Leia também: O que é o Q-Day? A ameaça quântica ao Bitcoin explicada
O setor também começa a reagir de forma prática. Projetos direcionados à chamada “criptografia pós-quântica” vêm atraindo capital, como o Project Eleven, que arrecadou US$ 20 milhões em uma rodada Série A liderada pela Castle Island Ventures para desenvolver ferramentas de proteção contra ataques quânticos.
A discussão se estende para além do Bitcoin. O cofundador do Ethereum, Vitalik Buterin, já afirmou que a resiliência contra ataques quânticos em escala secular é um pré-requisito para qualquer protocolo que aspire se tornar verdadeiramente autossustentável. Para Buterin, a adaptação a esse cenário não é opcional, mas parte da evolução das redes descentralizadas.
Comece a investir sem taxas! Com a condição especial Taxa Zero do MB, você tem 48h para investir em ativos digitais, sem taxa, sem asterisco, sem surpresas. Abra sua conta e comece agora mesmo.
Fonteportaldobitcoin



