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O Bitcoin passou boa parte do último trimestre de 2025 “no limbo”. Depois de cair forte em outubro e novembro, ficou semanas patinando, com volume mais baixo e um humor defensivo entre os investidores, até começar a se reerguer aos poucos em dezembro. Agora, em 2026, um A maior criptomoeda do mundo volta a ganhar atração, e tenta se aproximar novamente do patamar simbólico de US$ 100 mil.

Nesta quarta-feira (14), o Bitcoin voltou a superar a marca de US$ 95 mil e atingiu seu maior preço em dois meses com o mercado voltando a dar sinais de que quer assumir mais risco. Segundo Vanessa Oliveira, analista do Mercado Bitcoin (MB), o dado do CPI (inflação ao consumidor nos EUA) veio em linha com as expectativas e já começou a animar o mercado, devido a uma maior probabilidade de corte nos juros futuros, o que favorece ativos como o Bitcoin.

“Além disso, houve boas entradas nos ETFs de BTC e o aumento da probabilidade da aprovação do projeto de lei para o mercado cripto nos EUA (Clarity Act)”, cita ela. As apostas no mercado de variação Polymarket ultrapassaram 55% de probabilidade do texto ser aprovado no Senado nesta quinta-feira, após senadores apresentarem um rascunho mais favorável na última terça.

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Vanessa ainda destaca que a geopolítica está elevando a procura por ativos alternativos, reforçando o Bitcoin como opção em momentos de instabilidade, e a quebra de níveis técnicos importantes, como a resistência de US$ 94 mil, o que atraiu mais compradores.

“Nesse mesmo período, o nosso desempenho teve desempenho estável ou ligeiramente positivo, reagindo às mesmas condições macro, mas de forma mais defensiva, mostrando uma convergência de narrativa entre os dois ativos, embora com movimentos de preços diferentes”, completa o analista.

Já a QCP Capital destacou que os investidores estão voltando a assumir mais riscos. “O cenário ideal continua, com o mercado de trabalho americano mostrando poucos sinais de fragilidade e a inflação nos EUA permanecendo estável. Parece que o risco voltou a ser uma opção viável em todos os setores, de ações a metais preciosos, dólar e até mesmo criptomoedas“, avaliou o analista em nota desta manhã.

Mas será que essa alta do Bitcoin é sustentável? A resposta para o momento atual vem menos de um fato isolado e mais de uma convergência de situações, o que tem investidores animados de que, em breve, podemos recuperar o patamar de US$ 100 mil.

O “comércio do ativo real”

O pano de fundo mais chamativo é que, enquanto o Bitcoin tenta recuperar terreno, ouro e prata entraram em modo euforia. Nos últimos dias, o ouro bateu recordes de preço acima de US$ 4.600 por uma vez, e a prata rompeu US$ 90 pela primeira vez, também na máxima histórica.

Esse movimento é importante para o Bitcoin por dois motivos. Primeiro, porque reforça a leitura de que o mundo está comprando “proteção” e “escassez” ao mesmo tempo, uma cesta que inclui metais preciosos e, para parte do mercado, também o BTC. Em segundo lugar, porque o rali dos metais tem sido alimentado por fatores que também costumam favorecer as criptomoedas, como incerteza geopolítica e expectativa de juros menores.

Como comparação, o ouro saltou 65% em 2025, enquanto o Bitcoin ficou praticamente estável. Como destacou Matt Hogan, analista da Fidelity Digital Assets, Há espaço para o BTC ter um desempenho melhor que o ouro deste ano.

“Embora o ouro e o Bitcoin às vezes se movam em conjunto, sua clareza de longo prazo é apenas ligeiramente positiva, o que achamos atraente, ainda que de forma um pouco contraintuitiva”, escreveu ele no relatório indicando que o Bitcoin pode ter retornos melhores.

Por trás de tudo isso, a variável que une ouro, prata e Bitcoin é a mesma: o boato dos juros americanos. A leitura da inflação mais comportada reforçada pelo menos a manutenção dos juros no curto prazo, com maiores chances de vermos cortes nas taxas ao longo do ano, e isso tende a melhorar o humor para ações alternativas. Isso se dá porque o prêmio de ativos mais seguros, como os títulos do Tesouro caem com os juros mais baixos, levando os investidores a aceitarem mais risco para terem melhores retornos.

O dinheiro voltando para os ETFs

O segundo combustível — e o mais “mensurável” — é o retorno do fluxo para os ETFs à vista do Bitcoin nos EUA. Dados compilados da SoSoValue mostram que os ETFs registraram US$ 753,7 milhões de entradas líquidas na terça-feira (13), a maior marca desde o dia 7 de outubro.

“Os fluxos de entrada nos ETFs de Bitcoin representam um ressurgimento da demanda institucional, sinalizando que os investidores estão realocando capital agressivamente após um período de cautela e redução de riscos no final do ano passado”, disse Nick Rick, diretor da LVRG Research, ao site The Block.

Em movimentos como esse, o impacto não é apenas psicológico, ele é real. Quando o fluxo entra, o veículo precisa se ajustar e isso costuma criar uma pressão compradora que o mercado sente quase imediatamente, especialmente depois de um período de fraqueza e liquidez mais seletiva.

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Vincent Liu, diretor de investimentos da Kronos Research, afirma que os fluxos refletem uma maior clareza macroeconômica, marcada pelos dados mais recentes do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA — que mostrou uma inflação alta, mas em queda —, e pelo progresso da legislação sobre a estrutura do mercado de criptomoedas em Washington.

Ajustes de fim de ano

Dezembro e começo de janeiro também carregam uma dinâmica própria. No final de 2025, o Bitcoin fechou “machucado” e ainda bem abaixo da máxima de outubro e mais próximo dos US$ 90 mil, com analistas descrevendo o mercado como estruturalmente forte, mas taticamente frágil.

Na virada do ano, o mercado costuma viver uma “arrumação de casa” que mistura imposto e gestão de risco. Em várias jurisdições, muitos investidores buscam reduzir a conta tributária com prejuízos antes do fechamento do ano fiscal, estratégia conhecida como colheita de prejuízos fiscais.

A lógica é simples: como o imposto incide sobre ganhos de capital realizados, parte do mercado vende ativos que estão no vermelho em dezembro para “cravar” a perda e compensar ganhos obtidos em outros investimentos no mesmo ano.

Esse movimento pode aumentar a pressão do vendedor perto do fim do ano mesmo quando a tese do ativo não mudou, e depois abre espaço para recompras e recomposição de exposição em janeiro, quando a demanda volta e a liquidez melhorou.

Além do fator fiscal, gestores e traders fazem rebalanceamentos e redução de risco para fechar o período com portfólios mais “enxutos”, ajustando posições em derivativos, recalibrando colaterais, obtendo lucros e diminuindo alavancagem em ativos mais voláteis.

Em criptografia, isso tende a amplificar oscilações porque o mercado tem grande participação de futuros e opções: quando o apetite por risco retorna no começo do ano, a recomposição dessas estruturas pode virar combustível adicional para a alta, especialmente se coincidir com entrada de fluxo novo (como via ETFs) e com um pano de fundo macro mais favorável.

Geopolítica sem radar

Além do cenário macro, o noticiário internacional tem servido como gatilho para a narrativa do Bitcoin como alternativa em tempos conturbados. “Na última semana e meia, testemunhamos vários eventos globais que lembram aos investidores por que o Bitcoin foi criado no primeiro lugar”, disse Ryan Rasmussen, chefe de pesquisa da Bitwise, ao Decrypt.

Rasmussen citou o colapso da moeda fiduciária do Irã, por intimação do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, pelo Departamento de Justiça dos EUA, e eventos recentes na Venezuela como “catalisadores” significativos para o BTC.

Como destaca o QCP, apesar das notícias geopolíticas relacionadas à Venezuela e ao Irã, o mercado não demonstra preocupação. “Em vez disso, se inclina para a expectativa de que os EUA estejam reafirmando sua liderança no cenário global. O petróleo ganhou um prêmio geopolítico, mas o mercado em geral se manteve resiliente (…) Líquido abundante e a retomada da liderança global são as ferramentas de Trump, o que naturalmente proporcionou um desempenho superior dos EUA e um ambiente global de apetite ao risco”, diz o relatório.

No fim das contas, a retomada do Bitcoin é menos um “rali momentâneo” e mais o resultado da convergência de forças em curso, com o mercado voltando a precificar proteção e deficiência em meio a incertezas. Ouro e prata em registros também puxam a narrativa e o capital institucional reaparece de forma mais forte. Se esse conjunto continuar, a volta aos US$ 100 mil pode finalmente se tornar realidade.

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Fonteportaldobitcoin

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