O crescente interesse do Tether pelo ouro físico está se transformando no maior emissor de stablecoin do mundo em uma nova força no mercado de metais preciosos. A empresa compra de uma a duas toneladas de ouro por semana e já acumula reservas avaliadas em até US$ 24 bilhões.
O movimento levanta uma questão: seria o Tether capaz de influenciar, sozinho, o preço do ouro?
CEO quer elevar ouro para 15% do portfólio da Tether
O CEO Paolo Ardoino afirmou que a Tether pretende elevar a participação do ouro para 10% a 15% do portfólio de investimentos, acima dos níveis anteriores, que girava em torno de 7%.
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“Para nosso portfólio, faz sentido mantermos cerca de 10% em Bitcoin e entre 10% e 15% em ouro”, disse Ardoino em entrevista à Reuters.
Caso se concretize, a mudança pode consolidar o ouro como ativo de reserva central, ao lado dos títulos do Tesouro dos EUA e do Bitcoin. Com a circulação do USDT próxima de US$ 186 bilhões, esse movimento implicaria na compra adicional de vários bilhões de dólares em ouro, considerando que o portfólio e os lucros retidos estão avançando.
Empresa já detém até 140 toneladas de ouro físico
Na prática, o Tether já pode estar próximo do limite inferior dessa meta. Divulgações recentes sugerem que a empresa possui cerca de 130 a 140 toneladas de ouro físico, avaliadas em aproximadamente US$ 23–24 bilhões.
Isso coloca o ouro em uma fatia de 12% a 13% do total dos ativos da empresa, após um ano de compras expressivas e com preços acima de US$ 5 mil por vez.
Ardoino confirmou que a Tether está adquirindo uma a duas toneladas de ouro por semana, e que essas aquisições deverão continuar, pelo menos, nos próximos meses.
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Do ponto de vista da dinâmica do mercado, o impacto imediato está concentrado praticamente exclusivo no lado da demanda. A oferta de ouro é conhecida por ser bastante inelástica no curto prazo.
A produção global de ouro gira em torno de 3.500 a 3.600 toneladas anuais, com outros 1.200 a 1.500 toneladas de reciclagem. Esse volume não pode ser ampliado de modo relevante em resposta a picos de demanda em algumas semanas ou meses.
Por isso, as compras da Tether vêm dos estoques existentes acima do solo, negociados em mercados de balcão e refinados suíços, não das bolsas de futuros.
Como a compra de ouro da Tether influencia os preços?
Em um ritmo anual de 50 a 100 toneladas, a demanda do Tether representa cerca de 1% a 2% da oferta global por ano. Esse volume é insuficiente para dominar o mercado, mas já exerce influência relevante na margem.
No curto prazo, o principal efeito é a restrição da liquidez física. Ao acumular ouro real depositado em cofres, em vez de apenas realizar operações em contratos, a Tether reduz a quantidade disponível para negociações entre dealers e custodiantes.
Quando há simultaneamente demanda elevada de bancos centrais e ETFs, essa menor liquidez pode aumentar spreads e tornar os preços mais sensíveis a novos compradores.
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Não que diga respeito ao preço, a influência exercida tende a ser de sustentação, não explosiva. As compras semanais de uma a duas toneladas representam uma fração pequena do volume negociado globalmente por dia, especialmente nos mercados de futuros.
No entanto, as compras são previsíveis, baseadas no balanço e acumulativas, o que contribui para estimular níveis mínimos de preço.
Considerando apenas as operações da Tether, os fluxos dessa porta podem contribuir para o preço do ouro em 1% a 3% em curtos períodos. Isso se intensifica em cenários de dólar mais fracos, queda dos juros reais ou maior risco geopolítico.
Outro aspecto relevante é o impacto nas expectativas. Ardoino apresenta recorrentemente o ouro como um ativo de reserva semelhante ao de um banco central, discurso que ganha força num momento em que instituições oficiais intensificam aquisições.
Os bancos centrais acrescentam mais de 1.000 toneladas anualmente. O destaque da Tether como compradora relevante e transparente reforça a percepção do ouro como proteção diante da desvalorização cambial e riscos políticos.
Esse efeito pode atrair ainda mais investidores, ampliando os movimentos de preço para além dos fluxos diretos do Tether.
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Mesmo assim, existem limites. Ainda que o alcance do topo da meta anunciada, a acumulação de ouro pela Tether não altere a curva de oferta do ouro no longo prazo, tampouco se iguala ao peso conjunto dos bancos centrais e dos ETFs.
Além disso, fatores macroeconômicos, como decisões do Federal Reserve, força do dólar e percepção global de risco continuam determinantes.
Impacto no preço é de sustentação, não de explosão
Em resumo, o avanço do Tether no ouro cria um novo piso estrutural de demanda para o metal. No curto prazo, restrinja a disponibilidade física e sustente os preços na margem.
No entanto, atua como estabilizador, não como causador de instabilidade, reforçando um cenário já otimista em vez de provocar alta brusca dos preços do ouro.
No momento desta reportagem, o ouro estava sendo negociado por US$ 5.549, um valor alto de cerca de 30% no acumulado do ano.
Fontebeincrypto




