Resumo da notícia:
O mercado de criptomoedas inicia o ano de 2026 em um contexto onde qualquer projeção baseada no histórico do Bitcoin (BTC) não serve mais de guia ou parâmetro para os investidores, afirmaram os analistas Bernardo Pascowitch e Gabriel Bearlz, da Mercurius Crypto, durante uma live promovida pelo Banco Inter.
Em 2025, o Bitcoin atingiu a máxima histórica de R$ 126.000 em outubro, mas registrou em seguida uma correção superior a 33% em relação ao topo. No fechamento anual, o preço do Bitcoin consolidou uma queda de 6,3%, frustrando as expectativas gerais de um ano de valorização exponencial.
Mais importante, destacam os analistas, esse resultado “quebrou o ciclo de quatro anos” estruturado em torno do reduzir pela metadealterando as bases de análise técnica e fundamentalista que investidores utilizam para antecipar tendências de preço e janelas de oportunidade para rotações de capital entre moedas de alta capitalização e altcoins especulativas.
É consenso entre investidores e analistas que 2026 será um ano de “leitura muito difícil”. Pascowitch observa que mesmo grandes investidores globais não arriscam uma projeção definitiva para o desempenho das criptomoedas nos próximos meses.
Bearlz enfatiza que a estrutura clássica do ciclo de quatro anos foi alterada pelos fluxos recorrentes de capital institucional via ETFs e pela entrada de grandes instituições bancárias no mercado, fatores que alteraram a consolidação do Bitcoin com ações tradicionais.
Segundo o analista da Mercurius Crypto, essa nova dinâmica mudou 2025 — inicialmente projetada como o ápice do mercado de alta com base em padrões históricos — em um intervalo de realização de lucros antecipados e ajustes estratégicos de posições por parte de baleias e investidores de longo prazo:
“Esses investidores que não tiveram lucro quando o Bitcoin atingiu o máximo histórico venderam parte de seus Bitcoins para embolsar parte desse lucro. Esse foi o principal negócio dessa correção pela qual o mercado está passando no curto prazo.”
5 estratégias de sobrevivência no mercado criptográfico
Considerando ainda as incertezas sobre a economia dos Estados Unidos e a escalada do esforço geopolítico global, investir em criptomoedas em 2026 apresenta desafios inesperados. Nesse contexto imprevisível, os analistas apresentaram cinco estratégias para ajudar os investidores a minimizar riscos e potencializar ganhos.
1. Foco no longo prazo
A primeira recomendação para enfrentar a potencial volatilidade de 2026 é a adoção de um horizonte de investimento de, no mínimo, doze meses. A tese é que uma oscilação de curto prazo, muitas vezes movida por ruídos regulatórios ou dados econômicos pontuais, pode induzir o investidor a tomar decisões emocionais que, geralmente, resultam em perdas financeiras.
Pascowitch reforça que o diferencial para o sucesso dos investimentos em criptomoedas em 2026 será de resiliência:
“É preciso ter calma no curto prazo e foco total no longo prazo.”
2. Evitar o FOMO baseado em tendências de curto prazo
A segunda dica ressalta que os investidores não devem tentar antecipar movimentos de preços em janelas curtas, como dias ou semanas, movidos apenas pelo FOMO (medo de ficar de fora).
Em um ecossistema cada vez mais influenciado por variações macroeconômicas e disputas geopolíticas, a tentativa de oscilações antecipadas diárias de preço é considerada uma prática de alto risco e baixíssima eficiência.
O foco deve ser entender os fundamentos dos projetos em que se investe, em vez de tentar “acertar o fundo” ou “prever o topo” em um mercado que opera 24 horas por dia e é suscetível a mudanças bruscas de sentimento, afirma Bearlz.
3. Gestão de risco e alocações conscientes
O mercado de criptoativos, por sua natureza volátil, pode registrar quedas de 20% ou 30% em poucos dias. Por isso, a prudência na alocação de capital é um pilar crítico para a estratégia de sobrevivência.
Os especialistas alertam que os investidores não devem, em hipótese alguma, comprometer recursos destinados a despesas imediatas, compromissos fixos ou reservas de emergência. A regra fundamental é investir apenas o que não afetará o padrão de vida caso o mercado entre em um período prolongado de baixa.
4. Manutenção de reserva de caixa e liquidez
A quarta estratégia consiste em reter uma parcela relevante de liquidez para aproveitar as janelas de oportunidade geradas pelas correções do mercado.
Manter capital disponível em moedas estáveis ou investimentos de renda fixa de alta liquidez são importantes para que o investidor se beneficie de quedas acentuadas, como ressalta Pascowitch:
“O investidor deve ter dinheiro disponível para comprar bons ativos em 2026; o erro comum é gastar todo o capital em um único momento de otimismo e ficar sem fôlego durante as ‘promoções’ do mercado.”
5. Construção de carteira com portes recorrentes (DCA)
A última recomendação para mitigar os riscos é a execução de esportes recorrentes e diversificados, com base na estratégia de custo médio (DCA). Em vez de realizar uma única alocação, o investidor executa compras recorrentes com periodicidade pré-definida.
Esta prática visa reduzir o preço médio de entrada e neutralizar o risco de compra em um eventual topo de mercado.
Além disso, a diversificação — incluindo o Bitcoin como reserva de valor e outros projetos com fundamentos sólidos — é apontada como essencial para equilibrar a solução entre o risco de desvalorização e o potencial de retorno assimétrico das criptomoedas.
Catalisadores negativos: Política monetária do Fed e risco de “bolha da IA”
Bearlz explica que o desempenho das criptomoedas ao longo de 2026 será influenciado diretamente pela política monetária do Banco Central dos EUA (Fed). A manutenção de taxas de juros elevadas ou indicadores de inflação acima do esperado nos Estados Unidos (CPI e PCE) tende a afastar investidores de ativos de risco, gerando pressão negativa sobre o preço.
Além disso, o brilho elevado entre o Bitcoin e as ações de tecnologia é um ponto de atenção: uma eventual correção no valor do mercado das empresas de inteligência artificial (IA) poderia desencadear um efeito de cascata de liquidações no mercado criptográfico.
Catalisadores positivos: Avanço regulatório e adoção institucional
No cenário favorável, a aprovação de marcos regulatórios abrangentes, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, é vista como um fator que pode destravar bilhões de dólares de investidores institucionais que ainda relutam em se exportar aos ativos digitais.
O avanço da infraestrutura bancária para custódia de criptoativos e a integração de sistemas de pagamento com tecnologias blockchain por meio das moedas estáveis Continuamos a oferecer um suporte fundamental para o crescimento do mercado no longo prazo, conferindo maior legitimidade e diminuindo a percepção de risco sistêmico associado ao ecossistema.
Dando continuidade a uma nova era inaugurada em 2025, o ano de 2026 testemunhará a consolidação da integração entre as criptomoedas e as finanças tradicionais, segundo os analistas.
O sucesso dos investidores no mercado cripto dependerá cada vez menos da sorte e mais da disciplina na execução de estratégias de gestão de risco e da manutenção de uma perspectiva de longo prazo.
Conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil, as criptomoedas estão entrando em sua segunda fase de adoção institucional a partir da entrada do Morgan Stanley no ecossistema.
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Fontecointelegraph




