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Resumo da notícia

  • Motoristas do Paraná já podem registrar veículos em blockchain gratuitamente.

  • Cada carro recebe token exclusivo vinculado ao chassi, com histórico completo e imutável.

  • Projeto-piloto do Detran-PR prevê implantação definitiva até 2026.

Motoristas do Paraná já podem tokenizar seus veículos. O Detran-PR anunciou nesta quarta-feira, 11, durante uma coletiva de imprensa a abertura das inscrições para um projeto-piloto que permite registrar carros, motos e trânsitos em blockchain, criando o chamado Passaporte Veicular Digital, iniciativa inédita no Brasil.

Hoje existe um problema real de confiabilidade nas informações sobre veículos. Muitas vezes, o comprador não tem certeza se os dados apresentados são completos, consistentes e verdadeiros. O que buscamos agora é justamente criar rastreabilidade e segurança para essas informações. Na prática, vamos transformar o veículo físico em um ativo digital, como se fosse um passaporte ou uma carteirinha de vacinação. Cada evento da vida do automóvel será registrado ali, com dados e histórico: sinistros, transferências de propriedade, troca de peças, revisões e outras ocorrências relevantes.”, disse o presidente do Detran-PR, Santin Roveda.

A ação, que é de graça para os motoristas que desejam participar deste piloto, é conduzida pelo Departamento de Trânsito do Paraná em parceria com o Instituto de Tecnologia do Paraná. O objetivo é criar um registro digital único e imutável, reunindo o histórico completo do veículo com segurança e alinhamento às leis de proteção de dados.

Na prática, cada automóvel receberá um token exclusivo exclusivo ao número do chassi. Esse token funciona como uma identidade eletrônica permanente, capaz de armazenar dados desde informações de fábrica até revisões, quilometragem, financiamentos, seguros, ocorrências e transferências.

Com isso, o Estado pretende reduzir fraudes recorrentes no mercado automotivo, como adulteração de hodômetro e manipulação de registros. A blockchain garante que as informações não possam ser alteradas indevidamente, aumentando a transparência nas negociações.

Muita gente já passou por aquela situação de insegurança na hora de comprar um carro usado. Surge sempre uma dúvida: será que esse veículo já bateu? Será que mexeram no hodômetro? Existe alguma informação que não foi revelada? É o que popularmente se chama de “levantar a capivara” do carro. Esse cenário de desconfiança influencia diretamente a decisão de compra. Por isso, estamos iniciando no Paraná uma rede inovadora, com forte base tecnológica e parcerias estratégicas. Trabalhamos com o Tecpar, instituição com confiança nacionalmente, além da BV Financeira, montadas e outras empresas que investem no projeto. Nosso objetivo é oferecer o máximo de segurança possível. Evidentemente, não existe garantia absoluta em nenhum sistema, mas queremos alcançar um nível de confiabilidade próximo de 100%, com 99,9% de certeza sobre as informações registradas. A tecnologia blockchain nos permite seguir nessa direção”, afirmou Roveda.

Passaporte Veicular Digital

As inscrições foram obtidas no dia 11 de fevereiro e seguem até 23 de fevereiro. Todo o processo ocorre de forma online, pelo site ou aplicativo do Detran-PR, sem necessidade de deslocamento e sem custos para o cidadão.

Inicialmente, o projeto prévio de tokenização de mil veículos (que já está ocorrendo desde o ano passado dentro de um ambiente de testes). No entanto, para ampliar os testes e democratizar o acesso à tecnologia, todos os proprietários inscritos poderão participar do piloto.

O projeto terá duração de 120 dias e contará com acompanhamento de um Comitê Gestor formado pelas equipes técnicas do Detran-PR e do Tecpar. O grupo se reunirá quinzenalmente para validar entregas e ajustar processos.

A partir de 2 de março de 2026, os participantes poderão acessar o Passaporte Veicular Digital no aplicativo do Detran-PR mediante login. As informações ficarão disponíveis por 60 dias para avaliação da experiência.

O diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, destaca que a inovação exige testes controlados antes da implementação definitiva. Para ele, a prova de conceito permitirá estruturar um modelo sólido e escalável para todo o Estado.

O projeto também conta com o apoio da Vetrii (que desenvolveu o app) e do banco BV, além do suporte do Parque Tecnológico da Indústria, financiado pela Finep. A fase inicial prioriza veículos novos no pós-venda, registrando cada etapa desde a saída da entrega.

De acordo com o diretor de Tecnologia do Detran-PR, Ismael de Oliveira, cada token poderá rastrear entre 15 e 40 componentes, dependendo do modelo. Essa rastreabilidade amplia a segurança e dificulta clonagens e falsificações.

Comitê Gestor

O diretor-presidente do Instituto de Tecnologia do Paraná, Eduardo Marafon, afirmou que o projeto do Passaporte Veicular Digital entra agora em uma fase decisiva de testes práticos e validação técnica.

Desse modo, agora a intenção é avaliar, em ambiente real, como ocorre a transição do veículo físico para o ativo digital tokenizado, além de acompanhar o funcionamento da inserção de dados no sistema. Após essa fase, o Estado deverá decidir, em conjunto com o presidente do Departamento de Trânsito do Paraná, Santin Roveda, sobre a ampliação da solução para toda a frota estadual e os custos de implementação, que, segundo Roveda, não serão repassados ​​para os proprietários dos veículos

Nossa intenção é não criar novos custos para o cidadão. Pelo contrário, estudamos uma reestruturação das taxas do Detran, com foco na redução de valores. Podemos, eventualmente, substituir alguma taxa existente por uma taxa ligada à digitalização, mas sempre com a meta de simplificar e não onerar o proprietário”, disse.

Marafon explicou que um Comitê Gestor foi criado para acompanhar o desenvolvimento do projeto. O grupo reúne equipes técnicas do Detran-PR e do Tecpar, com reuniões semanais para avaliar cada avanço da tokenização, desde a extração de dados até a integração de novas informações.

Inicialmente, os dados utilizados provêm do CRV e de bases já disponíveis junto às montadas. No entanto, o comitê também estuda a inclusão de informações complementares no Passaporte Veicular Digital, como registros de sinistros, revisões em entregas, trocas de peças e outros eventos relevantes na vida útil do automóvel.

De acordo com o dirigente do Tecpar, a inovação exige experimentação controlada antes de ganhar escala. Caso os resultados confirmem a eficiência do modelo, o governo estadual poderá expandir o registro veicular em blockchain para toda a frota do Paraná nos próximos anos.

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Fontecointelegraph

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