(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Rumores de mercado ainda não confirmados pelo próprio Governo Lula indicar que uma possível cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para operações com Bitcoin, criptomoedas e moedas estáveis. A Divulgação do Valor Econômico nesta terça-feira (10) indicou que foi obtida cópia de documento da Receita Federal do Brasil com a previsão de 3,5% de alíquota nas operações, que colocam os “ativos virtuais” como equivalentes ao câmbio.

A cobrança, no entanto, ainda deve passar por um período de consulta pública, que abre conversas com a população e participantes do mercado. Ou seja, o Governo Lula, com sua equipe do Ministério da Fazenda, ainda não sabe o melhor caminho para a tributação.

Muita gente interpreta esse movimento como um gesto de abertura ou diálogo institucional. Na prática, não é disso que se trata. Consulta pública, nesse contexto, é instrumento técnico. E também jurídico“, disse ao Livecoins a contadora especializada em criptomoedas, Ana Paula Rabello (Declarando Bitcoin).

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Confirmando que o documento oficial ainda não é de conhecimento público, Rabello indica que o governo terá pela frente uma dificuldade real de enquadrar o bitcoin e demais criptomoedas em um imposto que nasceu para tratar de operações financeiras tradicionais.

Além disso, o contador indica que o governo terá de convencer o mercado criptográfico de que sua decisão não é frágil.

O primeiro desafio é conceitual. Qual operação com criptografia seria considerada fato gerador do IOF? Sem uma resposta objetiva e bem delimitada, qualquer norma nasce frágil. E a norma frágil em matéria tributária costuma produzir dois efeitos previsíveis: autuação e judicialização“, acrescenta.


Quem vai cobrar o IOF de criptomoedas dos brasileiros?

Com vários atores em um mercado crescente, com corretoras, bancos, custodiadoras e muitos outros negócios, o governo também terá de colocar a cobrança do IOF sobre a responsabilidade de alguém, revela Rabello.

O ecossistema criptográfico envolve múltiplos agentes, muitas vezes localizados fora do Brasil. Uma redação mal feita pode gerar responsabilidade difusa, sobreposição de obrigações ou simplesmente inviabilizar o cumprimento da norma“, indica para a reportagem.

Desta forma, a consulta pública chega como blindagem jurídica para que o governo elabore uma norma sem furos, de forma incontestável. Ou seja, o próprio mercado deverá ensinar à equipe econômica qual o melhor caminho para a cobrança vinda.

Para a contadora, a consulta pública indica que a cobrança chegará, e que o Estado brasileiro apenas que encaixará ele da melhor forma.

O fato de o tema estar em consulta pública não significa que a tributação não vá acontecer. Significa que o Estado ainda está tentando fazer com que o IOF caiba juridicamente em operações que não foram compensadas para ele“, finaliza Rabello.



Fonteslivecoins

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