Poucos ativos sofrem tanto com a desinformação quanto ao Bitcoin. E nada como aproveitar o 1º de abril, conhecido como dia da mentira, para quebrar algumas inverdades sobre a criptomoeda criada em 2009. Desde que surgiu, o BTC virou alvo de desconfiança e generalizações que muitas vezes sobreviveram mais do que os próprios fatos que as originaram.
Parte disso acontece porque o Bitcoin ainda é um ativo relativamente novo em comparação com ações, títulos públicos, ouro ou moedas nacionais. Outra parte vem da dificuldade de muita gente em entender um sistema monetário digital, descentralizado e sem autoridade central. Quando o assunto envolve tecnologia complexa, volatilidade e dinheiro, o espaço para ruído cresce rapidamente.
O resultado é que, mesmo com ETFs aprovados, adoção institucional, grandes empresas com Bitcoin em caixa e uma década e meia de histórico, ainda há ideias antigas sendo repetidas como se fossem verdades absolutas.
Confira a seguir, cinco “mentiras” que continuam sendo ditas sobre o Bitcoin:
Bitcoin falha em crises
Essa é uma das críticas mais comuns, de que o Bitcoin desaba justamente quando o investidor mais precisa dele. A frase tem um fundo de verdade no curtíssimo prazo, porque o ativo é volátil e costuma sofrer em momentos de busca imediata por liquidez. Mas isso não encerra a história.
Nas crises recentes, o desempenho do Bitcoin foi muito melhor do que o esperado. No recente choque provocado pela guerra entre EUA e Irã, por exemplo, o ativo conseguiu se manter firme, enquanto ouro e prata sofreram fortes quedas e piora de liquidez, como destaque o JPMorgan. O banco reforçou que o Bitcoin resistiu melhor do que os metais considerados seguros pelos investidores tradicionais.
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Isso não quer dizer que o Bitcoin já seja um “porto seguro” clássico nos mesmos moldes do ouro. O próprio debate acadêmico e de mercado ainda trata esse papel como parcial e situacional. O ponto mais preciso é outro: dizer que o Bitcoin “sempre falha” em crises simplifica demais um ativo que, em alguns choques, cai no susto inicial e depois se recompõe melhor do que outros mercados.
Bitcoin é pirâmide
Bitcoin não é pirâmide. Pirâmide é um modelo fraudulento em que o ganho dos participantes depende principalmente da entrada de novos participantes, geralmente sem produto real ou atividade econômica sustentável por trás. Essa é a definição usada por reguladores como a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC).
O Bitcoin, por sua vez, é um protocolo aberto, com emissão programada, rede pública e mercado secundário livre. Ninguém precisa recrutar novos participantes para que a rede continue existindo. O preço pode subir ou cair conforme a oferta e a demanda, mas isso é diferente de um esquema que paga os investidores antigos com o dinheiro dos novos.
A confusão costuma surgir porque muitas pirâmides usam a palavra “Bitcoin” ou “cripto” como isca. Foi assim em vários golpes que se proliferaram no Brasil e no exterior. Mas isso não transforma o ativo em pirâmide, da mesma forma que um golpe com dólar ou ouro não transforma dólar ou ouro em fraude por natureza.
Bitcoin é usado na lavagem de dinheiro
Criminosos usam criptomoedas? Sim, assim como usam dólares e reais. Mas classificar o Bitcoin como “ferramenta de lavagem de dinheiro” é um salto sem base na realidade. Os relatórios mais recentes de empresas de monitoramento mostram que a parcela ilícita do volume on-chain continua minoritária, embora o valor absoluto possa crescer em anos de maior atividade criminosa.
A TRM Labs estimou que a atividade ilícita representou 1,2% do volume on-chain atribuído em 2025, e a Chainalysis segue destacando que o uso do crime existe, mas não define o mercado como um todo.
Além disso, há um detalhe frequentemente ignorado: blockchain deixa rastro. Transações em Bitcoin são públicas e auditáveis. Isso não significa que seja automaticamente simples de atender a uma pessoa, mas significa que o caminho do dinheiro pode ser seguido de ferramentas adequadas, algo bem diferente do dinheiro em espécie.
Tanto é assim que o próprio avanço do combate ao crime em criptografia tem dependido justamente dessa rastreabilidade. A Chainalysis mostrou recentemente como transações em blockchain ajudaram a mapear compras de drones por redes ligadas à Rússia e ao Irã. Ou seja, o problema real não é “o Bitcoin ser invisível”, mas sim como autoridades e empresas conseguem conectar endereços a pessoas e organizações.
É tarde demais para investir em Bitcoin
Essa frase parece hoje que o Bitcoin sobe muito, principalmente quem olha para preços de US$ 70 mil e pensa que o BTC um dia valeu centavos. Mas não é porque ele já subiu muito desde sua criação que não há espaço para ele subir muito mais.
Hoje, o Bitcoin já não é um experimento obscuro. Há ETFs à vista negociados nos EUA, fluxo institucional recorrente e crescente integração ao sistema financeiro tradicional. Em março, por exemplo, produtos de Bitcoin à vista voltaram a atrair entradas relevantes, com mais de R$ 6,8 bilhões em transportes. Mais do que isso, olhando para o futuro, há quem defende que um Bitcoin valerá US$ 1 milhão, ou seja, ainda há muito caminho pela frente.
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Bitcoin não tem lastro
Essa talvez seja a frase mais repetida de todas, e uma das mais mal compreendidas. Quando alguém diz que o Bitcoin “não tem lastro”, normalmente quer dizer que ele não é conversível em ouro, imóvel ou moeda estatal. Isso é verdade. Mas também não é isso que determinar sozinho se um ativo pode ter valor.
O Bitcoin não tem último físico, ele tem regras financeiras, deficiência programada e uma rede descentralizada que valida essas regras. Sua oferta total é limitada a 21 milhões de unidades, e a emissão nova cai ao longo do tempo por meio dos halvings, mecanismo que reduz o ritmo de criação de novas moedas.
Em outras palavras, o “lastro” do Bitcoin não está em um cofre, mas na combinação entre escassez verificável, custo de produção, segurança da rede e demanda de mercado. Isso pode não convencer todo investidor, e está tudo bem. Mas dizer que ele “não tem lastro” como se fosse uma fraude contábil é uma fraude ausência de lastro estatal com ausência de fundamento econômico. São coisas diferentes.
No fim, o Bitcoin continua sendo um ativo que divide opiniões. Mas boa parte das críticas que ele ainda recebe hoje não vem de novas evidências, mas sim de preconceitos antigos repetidos sem contexto. Em um mercado que já amadureceu bastante, talvez a maior mentira sobre o Bitcoin seja tratada como se nada tivesse mudado.
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Fonteportaldobitcoin


